A ilusão da verdade

Distúrbios, pancadaria, feridos e um ou dois mortos. Esta poderia ser qualquer cena após um jogo de futebol, uma “manif.” anti-globalização, uma revolta “étnico-urbana-religiosa” dos subúrbios de Paris, Bruxelas… ou em qualquer outra urbe europeia. Carros incendiados, montras partidas, paus, pedras, coktail-molotov, gás lacrimogéneo, balas de borracha (outras não), pontapés, socos…!

Dizia-nos um “jornalista”, correspondente na Arábia Saudita, aquando da primeira Guerra do Golfo: o ambiente é de guerra, parece guerra, é quase guerra… mas ainda não é guerra!

Há quem tenha descrito estes acontecimentos como uma guerra de baixa intensidade, nós também já usamos esta terminologia, mas desconfiamos das palavras…

Observamos o continente africano e reparamos que cada conflito de “baixa intensidade” acarreta sempre uma porção indiscriminada de vítimas entre feridos, mortos e desalojados. Poderemos apontar muitas causas para este “fenómeno”, as diferenças de números de vítimas e o grau de violência a elas associado:

- questões étnicas (quase sempre, e se não começam por aí acabam como tal);
- questões religiosas (uma “modernidade” em crescendo);
- questões económicas (aqui falamos mesmo de sobrevivência);
- corrupção generalizada (sinceramente esta é a causa menos provável – é o modus vivendi africano, já estão habituados!);
- questões ditas políticas, defesa da democracia, direitos humanos e o blá, blá, habitué (umas balelas para certas potências estrangeiras terem ou meterem nos governos locais os seus caciques).

E talvez por fim poderíamos ser racistas e acrescentar que eles se matam uns aos outros duma forma tão selvagem e violenta porque são estúpidos que nem uns calhaus! Mas não o dizemos, porque embora bastante diferente o conflito, não esquecemos os Balcãs. Também lembramos que estamos atentos ao assalto do Kosovo por parte dos contrabandistas albaneses com o apoio de outros internacionais traficantes.

Voltando ao Ocidente “civilizado”, qualquer grupo que se junta numa claque de futebol e depois de beber uns copos e fumar umas drogas insulta, ameaça e acaba em violência física, fá-lo por “diversão”, espírito de manada e como dissemos borracheira. Volta para casa dos papás (rico ou pobre) feliz por mais uma aventura e na pior das hipóteses com umas bastonadas no lombo ou uma noite na esquadra. De quando em vez acontece o pior – morre alguém – um polícia, um arruaceiro…, e agrava-se a situação quando o infeliz é um inocente que ia a passar no local errado na hora errada!

Até há bem pouco tempo esta era a única violência de manada que nós conhecíamos, os distúrbios ligados ao fenómeno desportivo e esporadicamente algumas manifestações de carácter político e reivindicativo.

As coisas mudaram e estão a piorar… E como diria o mencionado “jornalista” luso: o ambiente é de guerra…! Ou poderia dizê-lo de outra forma se o palco do conflito não fosse a Arábia Saudita e a primeira Guerra do Golfo e ele estivesse em Paris (amanhã numa cidade perto de si): isto parece Africa, o ambiente é de Africa, mas ainda não é Africa!

Então porque é que as coisas ainda não atingiram as formas e proporções dramáticas como acontece no continente africano? Será porque, por enquanto, ainda somos mais ou eles como numa espécie de intuição primitiva não querem matar a galinha dos ovos d’ouro?

E quando o ponto de não retorno nos levar ao ponto de ruptura será que estamos preparados para a guerra?

3 Response to "A ilusão da verdade"

  1. Um bom domingo e um abraço Kmrds.
    Preciso lá de uma assinatura sffavor!

    Belo artigo. Um grande abraço aos amigos da LV e melhores saudações identitárias.

    Excelente, como sempre.
    Cumprimentos.

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