O progresso...

Uma marcha "obscurantista"...



e uma marcha moderna!

Boletim Evoliano


Os interessados em adquirir o Boletim Evoliano em formato papel podem contactar a Legião Vertical.

Muralha

O soldado tem como profissão a guerra, mas é comum dizer-se que não é ele que a começa (“a guerra é a continuação da política por meios violentos”) e, por conseguinte, quem inicia a guerra são os políticos.

A nossa luta não entra nos manuais das célebres academias militares (será que alguma vez ouviram as expressões “cavalgar o tigre” ou “atacar onde o tigre mostra mais fragilidade”?); não somos guerrilheiros, a nossa forma de combate ainda não lhes suscitou particular interesse, muito embora a sua preparação lhes deixe antever algo de “novo” e com formas muito diversificadas.

Nós temos algumas vantagens: podemos aprender com os erros ou as vitórias deles, e eles não podem aprender connosco, pela nossa “insignificância” e até porque ignoram a nossa existência.

A sociedade económico-pária onde temos que viver, trabalhar e educar os nossos filhos, está tão absorvida na sua alucinante viagem que, mesmo não sabendo para onde caminha, esquece que há gente como nós, com uma perspectiva diferente. Gente diferenciada, que aguarda o momento oportuno para servir o “tigre” com o seu próprio veneno, aquele que é hoje publicitado como elixir da felicidade: o mundo globalizado das massas humanas indiferenciadas e consumidoras.

A nós cabe-nos, embora incapazes de conter tal avalanche, estar atentos, treinados, preparados e, como o bambu, permanecer flexivelmente firmes, enraizados. Para que tal aconteça há que ter consciência e observarmos algumas atitudes pessoais, essas sim que podemos alterar e pôr em prática sem estar à espera de conseguirmos sozinhos através de qualquer acto político ou belicista derrubar o governo ou governos cleptocratas das actuais democracias capitalistas.

O auto-controlo tantas vezes difícil de manter na nossa vida diária, em casa, no emprego ou na rua, que em muitas situações é activado pelo medo de perder o emprego ou de gerar mais violência com repercussões incalculáveis, deve ser no seio da nossa Ordem conscientemente assumido e posto em prática. Treinar a cortesia sem servilismo, treinar a dureza sem ódio.

Relembro, porque me parece oportuno, o que o nosso irmão, o Grego, escreveu na Muralha XVIII:

“Os conselheiros legionários devem estudar psíquica e emocionalmente a personalidade do Comandante para não tomarem atitudes que o irritem desnecessariamente… Devem protegê-lo dos incómodos e da perda de energia causados por discussões banais que o distraiam, no seu difícil trabalho de comando e orientação. Ele deve, isso sim, ter conselheiros – secretários por ele escolhidos, que o livrarão das preocupações menores.”

No plano das atitudes e comportamentos pessoais, e porque nenhum de nós é rico, estando alguns inclusive a passar uma fase económica menos favorável, devemos lembrar-nos que o nosso trabalho, os nossos empregos, dão-nos alguma segurança económica – e isso é bom, mas não é tudo!

Atenção portanto, com quem pensa acumular grandes riquezas, e que quer fazer desta vida uma eterna batalha para ser rico, pois se já somos escravos, mais ou menos livres, de modo algum podemos virar prostitutas e agir como um burro a quem prenderam uma cenoura à frente da cabeça…

É preciso termos em mente que a ânsia de uma conquista económico-social pode inadvertidamente levar a um distanciamento de si mesmo e por conseguinte de tudo o que não tem a ver simplesmente com dinheiro como é o caso da Legião.

O saber usar as armas do inimigo, já noutras alturas mencionado, é também isto, meus caros camaradas: viver no meio deles sem nos deixarmos influenciar. Difícil? Sabemos que sim.

Mas então perguntarão: os ricos não podem fazer parte, ou é necessário ser-se sempre pobre ou remediado para pertencer à Legião?

Nós não queremos fazer sentir os ricos culpados, nem tirar aos pobres o sonho de o ser!

Poderíamos abordar esta questão de várias perspectivas, mas vejamos:

Um rico, um muito rico, ou um indivíduo que vive economicamente desafogado, e tenha conhecimento da nossa existência e que de nós pretenda aproximar-se… Vem até nós, passa uma temporada connosco, e até, suponhamos, conseguimos produzir a empatia necessária para ele ficar: será que facilmente aceitará a nossa Hierarquia, que não é baseada nem na classe social nem no diploma universitário?

Um juiz, por exemplo (rico ou desafogado), será que aceitava ser comandado por um indivíduo hierarquicamente (na sociedade-económico-laboral) inferior a ele?

Agora façamos um esforço e imaginemos que um indivíduo com as características socio-económicas atrás mencionadas se entrega verdadeiramente à nossa Causa e aceita a nossa Hierarquia – não é fácil, pois não? Mas se por acaso isso acontecer sabemos então perfeitamente que estamos na presença de um Homem Diferenciado. Alguém que ultrapassou o homo economicus que há em si.

O problema é quando no nosso íntimo continua latente a necessidade, diríamos primária, de subirmos na Hierarquia de Ferro, não com a intenção de obtermos meios (as armas do inimigo) para ajudar a Hierarquia de Ouro, mas para simplesmente conseguir ouro galgando os degraus do ferro.

Somos soldados, e se bem que o ouro seja também para nós aliciante, não nos deixaremos ofuscar pelo seu brilho nem faremos dele o nosso objectivo. As nossas riquezas são: as nossas armas, os nossos camaradas, a nossa Ordem e a serena vontade de sermos Diferenciados num mundo em ruínas.

Sabemos que outros núcleos, outros movimentos, outras irmandades se organizam e laboram, tal como nós, em prol do advento de uma nova Idade de Ouro. Haverá em cada elemento ou grupo propensões diferentes próprias do carácter e personalidade de quem as integra e dirige: haverá vocações guerreiras, outras culturais, outras místicas ou mais espirituais e outras ainda políticas, estas talvez as que menos nos interessam como forma prática de actuação. No contexto actual tal acção não passaria de passatempo enganador… Alguns de nós que estivemos mais ou menos envolvidos e participamos nalgumas manifestações políticas sabemos que cada ilusão de avanço tem levado a um maior recuo.

Portanto pormos em evidência uma acção política externa, e é disso que estamos a falar, sobretudo a nós tradicionalistas evolianos, não nos traria grandes vantagens. O nosso trabalho é sobretudo interno e, embora com algumas nuances pragmáticas, não é para nós mas para as futuras gerações. Isto não põe de lado, como é óbvio, a hipótese de darmos o nosso contributo, marcando presença, sempre que acharmos necessário.

Templários

A Pobreza

A pobreza «é uma das essenciais colunas» da vida monástica. Ser pobre por fatalidade nunca se considera motivo de grandeza, mas de misericórdia. O pobre que é pobre por não conseguir ser rico padece de uma carência, espécie de moléstia, que pode resultar incurável. A pobreza é então moléstia, sem mérito, salvo o que decorre do que, possuído de caridade, ajuda essa pobreza a suavizar-se, ou mitiga o sofrimento do pobre mediante a esmola, a caridade, ou o serviço social. Neste caso verifica-se a realeza do prolóquio: «há males que vêm por bem»…

Ser pobre por eleição eis um motivo de grandeza e de glória… O voto de pobreza é um carisma, exprime a grandeza da alma que se aposta num despojamento das coisas e dos bens materiais, para concentrar a alma no que mais importa. Na vida monástica, a pobreza, além de carisma essencial, releva do benefício de cada um nada ter, em favor da comunidade que tudo possui.

O Silêncio

O silêncio constitui, na vida de uma comunidade religiosa, uma forma tácita de palavra de vida. Quando a boca e os lábios se calam é porque o dono da casa entrou na sua mansão. A regra do silêncio institui-se como bem da vida comum, do património da corporação.

A Obediência

A clave da Regra é o voto de obediência… Obedecer é viver conforme a Regra: cumpri-la, letra a letra. Ao prometer os votos o cavaleiro deixa de ter vontade própria. Nada fará do que lhe possa apetecer, ou do que achar por bem planear, mesmo que seja uma boa acção. O cavaleiro vive o caminho da perfeição, obedecendo. A Regra, é apresentada aos que «proprias voluntates sequi contemnunt», aos que têm a generosidade de renunciar à própria vontade, para fazerem a dos Irmãos em comunidade. Não há obediência ao Mestre se não houver obediência à Regra; obedecer à Regra significa obedecer ao Mestre, aos Irmãos, à Ordem.

O Irmão que cumpre o voto de obediência cumpre por concomitância os demais votos, porque só a obediência é englobante.

Extraído do livro, A Regra Primitiva dos Cavaleiros Templários, de Pinharanda Gomes (Hugin Editores).
Imagem: Il Sangue contro l’oro de Franco Cenerelli.

Ao relermos um dos textos publicados no Causa Nacional retivemos estas breves passagens:

«Quem tiver o culto da dignidade, do aprumo, da coragem, não pode deixar de sentir veneração profunda pela arrancada sem esperança dos fiéis do último Mussolini, o Mussolini que, deliberadamente, enveredou pelo rumo do perigo, da amargura, da impopularidade, preferindo quebrar a torcer e mostrando-se, na adversidade do seu dramático e respeito do que nas horas triunfantes das vitórias e dos êxitos estrondosos.

Conforme escreveu Julius Evola (que também esteve com a República Social): “O valor do segundo fascismo está no seu aspecto combatentístico e legionário; como já muito justamente se disse, talvez pela primeira vez na… história, número importante de italianos escolheu, resolutamente, a vida do sacrifício, da derrota, em nome do princípio da fidelidade a um chefe e à honra militar. O seu valor esteve, de uma forma geral, na disposição heróica a lutar ainda que por posições perdidas já.”
»

Tropa de Elite (I)

O filme de José Padiha, vencedor do Festival de Berlim deste ano, tem estreia marcada nos cinemas portugueses a 10 de Julho. Depois de muitos de nós já o termos visto à socapa chegou a hora de o vermos no grande ecrã.

Momento histórico?

Acabamos de ouvir, no programa “A Herança” da RTP 1, a seguinte questão: “A obra «Revolta contra o Mundo Moderno» é da autoria de Julius Evola? Verdadeiro ou Falso?” Julius Evola mencionado pela primeira vez na televisão nacional?

Solstício

Irmãos, camaradas e amigos,

Reunimo-nos hoje, como vem sendo habitual, para celebrar em contacto com a Natureza o Solstício de Verão e realizar a nossa “Marcha dos Elementos: Terra, Água, Ar e Fogo”. Todos temos percepção da terra que pisamos, da água que nos molha o rosto, do ar que respiramos e do fogo que tudo queima e transforma.

Aneximandro, filósofo pré-socrático, diz-nos que o princípio de todas as coisas é o «Apeiron», palavra grega que, não se podendo traduzir com muita precisão, significa o infinito, o indeterminado, o que não se pode medir, o grandioso, o magnificente, ou seja, o que em linguagem alquímica corresponde ao 5º elemento – o Éter – inatingível por qualquer esquema mental.

Afirmava Anaximandro que deste “Éter” surgem todas as coisas – o Princípio Imutável. Princípio inapalpável e que de nós se afasta cada vez que o tentamos alcançar através do raciocínio evolucionista, descurando o conhecimento iniciático, intuitivo ou, para não parecermos tão pretensiosos, o sentimento de verdade, de uma certeza interior de algo que já nos pertenceu e que relembramos como uma espécie de saudade.

É relativamente fácil entendermos o nosso corpo como elemento físico, composto em sua grande maioria por água e que necessita constantemente de ar que alimenta o nosso fogo…

Empédocles, outro pré-socrático, fala-nos não só do Fogo, mas de quatro Elementos que nos livros de filosofia surgem como as «quatro raízes». É um dos poucos pré-socráticos que expõe claramente os Quatro Elementos com o mesmo nome e na mesma ordem com que os recolherá a Alquimia tradicional… A ordem estratigráfica dos elementos começa por: Terra – Água – Ar – Fogo – Éter, a ordem genética é a inversa.

Para Anaxímanes o Ar é o Principio concreto da Natureza. Explica que este Ar é o alento. O Alento Divino que vivifica todas as coisas. Do Ar nascem todas as coisas, e ao Ar regressam quando se corrompem a nível material. O Ar é um Principio que dá origem e que serve de regresso.

Segundo nos relata Aristóteles, para Tales de Mileto o Princípio de todas as coisas é a Água. A água alquímica o elemento vital, prânico, a energia do Universo.

Constatamos assim que embora se chamasse a estes filósofos pré-socráticos de “físicos”, por tentarem perceber a origem “física” da Natureza, na realidade não parece existir aqui nada de Filosofia nem de Física tal como concebemos hoje estas disciplinas.

Mas a sensação que nos fica é que nestes primórdios a lógica e a razão (modernistas) não ocupavam um lugar de destaque nos antigos sábios, mas ao contrário o aspecto “mágico” oculto numa linguagem, diríamos, iniciática eram a forma de entender a Natureza e chegar à Verdade.

Recordamos também que as escolas iniciáticas do Oriente, mais concretamente na China, nos falam de cinco elementos: «Água, Fogo, Madeira, Metal, Terra».

Para nós, Legionários, tudo isto nos interessa porque sabemos que é penetrando nas origens que a Verdade está mais nítida. E vamos também tendo a percepção que nem só a razão e a lógica nos explicam o Mundo. E quando os nossos actuais cientistas parecem ir descobrindo racionalmente a origem do Universo, avançando as suas materialistas explicações, nós reparamos que uma sabedoria muito, muito antiga já “irracionalmente” dizia o que os modernos físicos dizem.

E acrescentamos que vários mitos da Antiguidade, presentes em culturas geograficamente distanciadas e distintas, revelam-nos uma semelhança assustadora no seu conteúdo simbólico, o que nos faz recordar Julius Evola e as suas investigações e explicações comparadas das antigas e tradicionais culturas que nos levam à tal Idade de Ouro e a uma Ciência Primordial.

E porque este nosso texto toca na Alquimia transcrevemos da obra do Mestre “A Tradição Hermética”, o seguinte trecho:

«A Ascese Hermética

Na alquimia grega encontramos como condições gerais a pureza tanto do coração como corporal, a rectidão, o desinteresse, a ausência de cupidez, de inveja e de egoísmo. «Quem realizar estas condições é digno, e só o digno se faz participante da graça do alto, a qual, no mais profundo recolhimento da alma, em sonhos verdadeiros e visões, lhe abre o intelecto à compreensão do “Grande Mistério dos Sacerdotes Egípcios”… comunicado por estes só oralmente ou de um modo enigmático que “engana os demónios”, e que a esse digno torna a “Arte Sagrada” tão fácil como um “jogo de crianças”.»

A nossa higiene física, mental, moral e espiritual são também para nós os primeiros passos para nos mantermos de pé entre as ruínas.

Avé!

Julius Evola - Presente!



(19/05/1898 - 11/06/1974)

Um outro 10 de Junho...



Muralha III


Falemos dos Guardiões.
Guarda, guardião é aquele que preserva, que trata, conserva, protege, esconde, auxilia, orienta, obedece e manda. Ser guardião é tudo isso e muito mais: é união, é disciplina, é rigor, é amor e sabedoria, é vontade. Vontade de saber, de agir, de trabalhar, de lutar. É pensamento e obra... é triunfo. Com estes objectivos se criaram as guardas masculina e feminina. Corpos uniformizados e disciplinados capazes de um forte sentido de fidelidade, de dedicação e serviço.
A história do homem é feita de guerra e paz, de grandes e pequenos exércitos, de batalhas e guerrilhas, do nascimento e queda de impérios. Apareceram heróis, salvadores e mártires. Conhecemos monstros sanguinários, personagens diabólicas. Viveram-se momentos felizes durante as guerras, como se viveram momentos de angústia em tempos de "paz". Guerras entre povos, guerras religiosas, guerras entre classes o separatismo está sempre na moda e enfim, um prolongado etc. Há quem faça a guerra para enriquecer. Há quem queira a paz para não perder. De um lado falam-nos em guerras justas, do outro em guerras santas. Uns buscam ouro na terra enquanto outros virgens no céu. Todos prometem algo, há sempre alguma coisa em troca. Há os que lutam pela liberdade e sendo este o seu objectivo de vitória escravizam a derrota dos outros. De um lado os vencidos, do outro os vencedores. Depois a grande mentira: de um lado o bem e do outro o mal. Não nos iludamos, o processo de decadência que a humanidade conhece só tem uma definição de guerra: um ganha, outro perde, já foi teu agora é meu.
Nós guardiões não temos um ideal de conquista no sentido material, nem buscamos a vitória pela vitória. O nosso ideal de Justiça e Beleza são a busca do equilíbrio perdido entre o Homem e a Natureza, entre o Homem e o Divino, e por consequência entre o homem e a sua consciência divina (Krixna em Bhagavad-Gita).
Os líderes actuais da decadência orientam o rebanho na busca da riqueza, baseiam-se num processo ilusório de necessidades, chave mestra da economia – a nova divindade.
Como nos diz Julius Évola: "A economia actuou na essência inferior do homem moderno e através da civilização por ele criada, tal como o fogo se transmite de um ponto para outro, enquanto não arde tudo. E a correspondente "civilização", partindo dos seus focos ocidentais, difundiu o contágio a todas as terras ainda sãs, trouxe a inquietação, a insatisfação, o ressentimento, a incapacidade de se possuir um estilo de simplicidade, de independência e de comedimento, a necessidade de avançar sem parar e cada vez mais rapidamente no seio de todas as camadas sociais e de todas as raças; ela foi empurrando o homem cada vez mais longe, foi-lhe impondo a necessidade de um número cada vez maior de coisas, tornou-o portanto cada vez mais insuficiente e cada vez mais impotente - em cada nova invenção, cada nova descoberta técnica, em vez de ser uma conquista, marca uma nova derrota, é uma nova chicotada destinada a tornar a corrida ainda mais rápida e ainda mais cega. É assim que as diferentes vias convergem: a civilização mecânica, a economia soberana, a civilização da produção e dos consumos coincidem com a exaltação do devir e do progresso, do impulso vital ilimitado – em resumo com a manifestação do "demoníaco" no " mundo moderno".
Guerra e economia – os soldados não têm comandantes, obedecem a patrões que lhes pagam o ordenado... são livres, democraticamente enviados pelos governos do povo" para restaurar liberdades e democracias", braços políticos da economia capitalista. Este é o cenário actual: democracias – esquerdas direitas – capitalismo economia... os novos mitos.
Somos Guardiões, uma milícia de fé, acreditamos em valores intemporais, que irrompem de um supra mundo. Sabemos que as modas são passageiras e por vezes perigosas. O processo de degeneração em curso só tem um caminho – o abismo.
Vamos procurar manter uma chama acesa para servir de farol na tempestade.
Agosto/2003

A Ordem da Coroa de Ferro (Excertos)

1. Os homens da Ordem têm o dever, acima de tudo, de ser exemplos vivos dos valores do puro Espírito, entendido como uma realidade transcendente, acima de qualquer valor meramente humano, acima de qualquer laço naturalista, “social” e individualista, e de defender e afirmar esses valores de formas apropriadas.
2. As devastações que caracterizam o mundo moderno impõem aos homens da Ordem a responsabilidade pela assumpção e afirmação de tais valores como distintos de formas e instituições mais ou menos historicamente condicionadas. Os homens da Ordem, notando que actualmente não existe nenhum sistema político ou social de natureza legítima, fiel a princípios superiores, mantêm-se distantes de todos eles. Podem estar presentes, e até aceitar cargos ou posições, em tais instituições, mas com o único propósito de exercer uma influência de natureza transcendente, directa ou indirecta. Quanto à distância a ser mantida em relação a todas as formas de religião, uma vez que a crescente decadência e secularização destas formas é auto-evidente, qualquer participação deve ser justificada pelo reconhecimento de valores básicos incondicionados.
(…)
4. Existem distorções específicas da sociedade moderna, e tomar posição contra elas é uma premissa natural e essencial de aderência à Ordem. O que deve acima de tudo ser criticado com relação a isto é qualquer forma de democracia e igualitarismo, aos quais se deve opor um princípio fundador espiritual de autoridade e hierarquia. Qualquer mito “social” proletário e colectivista deve ser ainda mais combatido. Desprezo pelas chamadas “classes trabalhadoras” é um ponto essencial. Os homens da Ordem opõem-se a qualquer amiguismo, a qualquer escalada de forças inferiores até ao poder e a qualquer conceito de escalão, privilégio e poder definido em termos de dinheiro e riqueza. A tarefa dos homens da Ordem é afirmar a supremacia de valores espirituais heróicos, aristocráticos e tradicionais contra o materialismo prático, o imoralismo mesquinho e utilitarismo dos nossos tempos. Em todas as ocasiões eles erguer-se-ão em defesa destes valores e opor-se-ão e desmascararão o que os contradisser.
(…)
6. O centro de gravidade da Ordem não reside nem numa confissão religiosa concreta nem em nenhum movimento político, e ademais, no seu espírito, a Ordem mantém-se distante de tudo o que pretende ser “cultura” no sentido moderno, intelectualista e profano. O fundamento do homem da Ordem é pelo contrário, em primeiro lugar, um modo de ser; em segundo lugar, uma dada visão da vida, como sua expressão; em terceiro lugar, os elementos de estilo para uma atitude pessoal de rectidão e coerência na vida, juntos com uma norma para o domínio da acção.
- Julius Evola, “A Ordem da Coroa de Ferro”

Seremos soldados...

Percorreremos as montanhas com as nossas bandeiras e estandartes, no alto encontraremos a serena e suprema justificação para descermos sobre as hostes inimigas. Faremos da montanha o nosso santuário, aí levantaremos os nossos braços em direcção ao Sol Invicto e retomaremos a marcha com novas energias.

As cidades foram-nos tomadas, primeiro pelos mercadores, depois pela populaça que numa sequência terrivelmente lógica a entregou aos párias. A amálgama nauseabunda sufoca-nos, mais, quando pensamos nas futuras gerações, nos nossos filhos, e em como isso os vai afectar, como já nos afecta a nós que rejeitamos a “felicidade” que o Mundo Moderno nos quer vender.

Não queremos, nem poderíamos, ser felizes num mundo em que os párias se tornaram senhores. Somos obrigados a viver assim, com eles, talvez até lhes passemos a imagem de que desistimos, mas isso é também estratégia, porque na verdade não capitulamos e aí estamos… de Pé!

É na montanha que a nossa verticalidade se reflecte e é esse o espelho que nos dá força. É a ascensão que nos eleva ao sagrado e é lá no alto que nos revemos uns nos outros como Irmãos de Armas, e é aí que, a cada nova Primavera, renovamos o nosso juramento para com a Ordem.

Mas isto é também uma questão de equilíbrio, ascendermos em busca do nosso centro, da nossa Força Primordial.

As batalhas, a guerra, essa, sabemos bem onde vai ter lugar: nas urbes cinzentas, anárquicas, grafitadas, super-amontoadas, onde os párias das várias classes económicas habitam como peixes em água. É este o palco do conflito, o combate urbano, pelo nosso lar, pela nossa família, pelo nosso bairro, pela nossa cidade… pelo Ideal.

Seremos soldados, viveremos como soldados, e conquistaremos assim a Liberdade perdida.

A Acha (excerto)

Já tivemos a ocasião de revelar, que no mundo das origens, lá onde digamos, os ditos testemunhos “positivos”, ou perante essa ambiguidade, o símbolo e o mito podem muitas vezes oferecer um fio condutor precioso para uma exploração mais profunda do que superficial. Foi admitido, e não é de hoje, pelo racismo alemão, sobretudo quando eles se propuseram de completar as pesquisas antropológicas e biológicas através de uma espiritualidade e uma “visão de mundo” que lhes permitisse afirmar novamente os princípios dentro do domínio da história das religiões, da mitologia comparada, das tradições primordiais e das sagas. Em Itália, este assunto tem restado até agora, praticamente virgem. No entanto, e dentro do dito antigo mundo da península italiana, que desde a mais longínqua pré-história, foi submetido à influência de civilizações e povos muitos diversos, e que oferecem muito raramente um paralelismo rigoroso entre a pureza étnica e aquela das tradições correspondentes, uma pesquisa assimilando o símbolo e o mito num documento, poderá ter resultados de uma importante singularidade.
Naturalmente para isso é necessário uma qualificação adequada e um olho particularmente treinado. Assim como a língua, um símbolo e um mito duma raça, podem passar a uma outra raça, duma civilização a outra, modificando-se de certa maneira, de função, servindo de suporte a outras significações daqueles que tinham normalmente na sua origem. É preciso portanto saber orientar-se e integrar tudo que este tipo de pesquisa pode trazer de conhecimentos sólidos de ordem tradicional.
Isto será nosso ponto de partida para certas considerações que queremos fazer aqui a propósito de alguns símbolos dos quais a presença no antigo mundo itálico, depois romano, testemunharam à sua maneira, a existência duma tradição original e do tipo nomeadamente nórdico ariano, ou como preferimos dizer “hiperboreo”. Nós preferimos dizer hiperboreo, para prevenir toda a falsa interpretação ou toda a deformação justificada. E por falar em “ariano-nordico”, podemos crer que aderimos à tese pangermanista e por isso reconhecemos que aquilo que temos de mais valioso no nosso povo e na nossa tradição deriva de raças puramente nórdicas e nórdico-germânicas. Utilizando como nós o fazemos, “hiperboreo” tem uma outra extensão. E refere-se a uma fonte absolutamente primordial, base do grupo global dos povos e das civilizações arianas, das quais as raças nórdico-germanicas não são mais que uma ramificação particular. As forças originais e criadoras das civilizações da Índia antiga, do Irão e da primeira Hélade e de Roma, podem reivindicar uma origem idêntica e pelo menos uma igual dignidade.
Este ponto estabelecido, os principais símbolos do antigo emaranhado que nós decidimos de examinar e compreender a sua significação mais profunda e mais pura são: a acha, o lobo, o cisne, a águia a cruz radial. Para este exame é necessário empregar o método comparativo, aplicado ao conjunto do ciclo das civilizações e dos mitos arianos: aquilo que nos oferece uma destas tradições arianas e aquilo que encontramos em outra é então integrado, confirmado e posteriormente esclarecido.
No presente artigo vamos nos limitar à Acha. A Acha é um dos símbolos mais característicos da tradição hiperborea primordial. Seus traços levam-nos à mais longínqua pré-história segundo alguns, segundo outros à última época glaciar, e pelo menos a um período paleolítico. Numa obra recente, Paulsen, escreveu cartas ilustrando a larga difusão da Acha hiperborea, situada em diversos locais pré-históricos da Europa. O tipo mais antigo é aquela da “acha sideral” em quartz ou ferro meteórico, quer dizer uma substância caída “do céu”. É sem dúvida certo que o uso destas achas siderais eram sagradas e ritualizadas. Considerando-se a substância da qual eram feitas, estas Achas siderais levam-nos finalmente a um simbolismo mais abrangente das “pedras divinas”, das “pedras caídas do céu”, que tiveram uma grande importância na antiguidade onde se criava um centro tradicional: desde o Omphalos de Delphos à “pedra do destino” – lia-gail – das antigas tradições britânicas, da ancilia, confeccionada na Roma antiga, feita de pedras caídas do céu e com o significado de aval de soberania, pignum imperii, até ao Graal, que segundo a tradição foi trazido e conservado por Wolfram von Eschenbach é igualmente uma pedra caída do céu.
No caso da Acha, este simbolismo genérico acata uma significação especial numa relação estreita com uma tradição heróica e sagrada. As pedras dos meteoros simbolizavam também o “raio”, (daqui a expressão “pedra de raio”) a força celeste fulminante, significa que se estendia à Acha sideral pré-histórica: como o raio, ela quebra e corta. Assim é a base da significação que a Acha, arma e símbolo, teve nas tradições ariana e nórdico-arianas, hiperboreas primordiais desde a Roma antiga até à época dos Vikings.
Na concepção ariana de guerra – da qual já falamos muitas vezes – o elemento material é inseparável do elemento espiritual, transcendente. Em toda a luta ou conquista, o antigo Ariano via o reflexo da luta metafísica, do eterno conflito entre as forças olímpicas e celestes da luz contra as forças potentes e obscuras e selvagens da matéria e do caos. A Acha, como arma e símbolo, está estreitamente ligada aos seus significados. A Acha aparece como uma arma “celeste” empunhada seja pelo guerreiro ou pelo conquistador hiperboreo, ou seja pelo sacrificador ou o sacerdote. Remontando a uma longínqua antiguidade, nos desenhos rupestres, em Fossùm (Suécia) podemos ver numerosas figuras que empunham achas, entrecruzadas com símbolos solares. Ora é interessante de observar estas convergências. Os antigos símbolos nórdicos correspondem a reminiscências ainda mais antigas, dos quais seriam da civilização franco-cantábrico da Madalena ou de CroMagnon (aproximadamente 10.000 anos antes da nossa era), civilização dita do “Reno”, que na nossa opinião, estendeu-se até uma região ligure. De outra forma, nos vestígios arcaicos da civilização itálico-ligure encontramos a Acha, acompanhada de símbolos solares e hiperboreos, como o cisne e a cruz radial (suástica). Franz Altheim recentemente demonstrou a correspondência entre traços pré-históricos de Val Camonica e traços suecos. Encontramos também figuras rupestres nesta região italiana, onde figuram a acha simbólica e um símbolo solar e astral análogo. A este propósito, Altheim chegou mesmo a falar duma verdadeira “migração dorinne em Itália”, de tal maneira lhe pareceu evidente a semelhança da civilização que deixou seus traços no Norte da Itália. E que deveria conduzir, por vias enigmáticas, à criação de Roma, como aquela dos Dórias na Grécia e da qual a conclusão deveria ter sido a criação de Esparta.
Quanto à significação espiritual da “acha sideral”, nós a encontramos no culto nórdico-ariano do Thor. Thor era uma figura divina que tinha por atributo duas armas, que no fundo se equivalem: - uma é a Acha outra o martelo de duas cabeças, mjolnir. As duas armas são análogas pois o martelo representa ele mesmo a força do raio tal como a Acha; aliás, o martelo duplo, pela sua forma se confunde com a Acha de duas lâminas que saem do mesmo simbolismo e nos leva especificamente à tradição hiperborea. Thor combate com esta arma as “forças elementares”, os Elementarwesen, que tentam produzir as forças celestes (simbolicamente a “Lua” e o “sol”) e é também com ela, que no grupo dos “heróis divinos” ou Ases, ele luta contra o “obscurantismo do divino” o ragna-rokkr, mas que não deve ser confundido romanticamente com o crepúsculo dos deuses, como Wagner; mas sim considerá-lo como um eco mítico do fim trágico dum ciclo de civilização e de tradição original hiperborea, ou seja, dentro do mito.

[A conclusão deste texto será publicada no Boletim Evoliano]

- Julius Evola, "Symboles et "mythes" de la tradition occidentale"
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