Por uma questão de vergonha

Relembramo-nos deste tema a propósito de uma conversa que recentemente tivemos com um amigo nosso. Contava-nos ele que certos indivíduos por estarem na “nossa área” e portanto contra este modelo económico-social, não davam a importância devida ao dinheiro… eram, em última análise, dizia-nos, maus a fazer e a prestar contas.

Há uns meses recebemos um contacto de Inglaterra de um (mais um) indivíduo da “nossa área” que queria a t-shirt de Julius Evola. Depois de estudada a melhor forma de enviar a dita para Inglaterra e depois de se verificar que os ingleses (também nisto) não tinham a “convenção europeia de correios”, decidimos enviar a t-shirt sem ser à cobrança. Assim fizemos, carta registada com o conteúdo lá dentro, e informamos o inglês que quando recebesse a encomenda nos enviasse os euros da mesma forma. Até à data estamos à espera do dinheiro. É claro que esta questão foi debatida entre nós antes do envio mas chegamos à conclusão que valia a pena arriscar e desta forma sabermos se era realmente um dos nossos ou não. Neste caso perdemos uns trocos mas ganhamos uma certeza – este indivíduo não é dos nossos.

Também conhecemos outros que com emprego e profissão estável dão mais importância às gorjetas que muitas vezes ilicitamente recebem do que ao vencimento a que têm direito pelo seu trabalho. E isto, embora não pareça, é grave, mostra falta de carácter, uma atitude de servilismo própria de gente inferior.

Não queremos dar demasiada importância ao assunto, mas preocupa-nos que gente que se diz da nossa, se “esqueça” de pagar as dívidas, de devolver os livros que lhes emprestam, etc. O que não nos pertence devolve-se, se não nos pesa nas mãos deve, se formos homens, pesar-nos na consciência.

O ser contra o sistema burguês capitalista não pode jamais servir de desculpa para não se cumprir com as obrigações e a palavra dada, sobretudo para com os seus camaradas.

Quando falamos com pessoas mais velhas, e tendo em conta os dias que correm, costuma vir ao de cima a frase batida: “eu ainda sou do tempo em que a palavra e um aperto de mão selavam os contratos, e ai de quem falhasse!”

Pois bem, a célebre Palavra de Honra que conhecemos como selo contratual máximo e apanágio de outras épocas já passou de moda, e é bom que tenhamos presente que não foi uma invenção burguesa para selar contratos comerciais. Na passagem do domínio da casta guerreira para a mercantil, os burgueses, senhores do Terceiro Estado, copiaram, e ainda bem, pormenores que não faziam propriamente parte dos seus “genes” e ganharam com esta atitude respeitabilidade fazendo com que outros os admirassem (também) como Senhores, homens de palavra – Homens de Honra.

Com o advento do Quinto Estado, o do pária, a confusão aumentou, já não sabemos mais onde estão os homens e muito menos os Homens de Honra. Relembrando um outro caso em que alguém ligado ao sistema judiciário nos dizia: a nova moda dos “ricos” para não cumprirem com as suas obrigações financeiras é apresentarem insolvência em Tribunal, eles já não têm vergonha, pelo contrário começa a ser sinal de um novo tipo: o “chic… esperto”!

A mesma fonte informava-nos conhecer uma empregada de limpeza que, encontrando-se financeiramente com a corda ao pescoço e mesmo depois de lhe explicada a situação do processo de insolvência… se recusava a “abrir falência”, pois tinha vergonha. Pôs a sua casa à venda e o marido emigrara para conseguir fazer face às dívidas.

Felizmente ainda há gente com vergonha. Pois só homens de honra conhecem esse sentimento. Não fosse o sentimento de vergonha (o nome manchado), um dos pilares da educação do jovem samurai – Bushido.

Legião em treino


Acerca da Fidelidade

Julius Evola

Pode não se achar particularmente interessante voltar a evocar alguns ideais éticos que tiveram uma particular força e prestígio nas civilizações anteriores das nossas raças e que foram um factor da sua grandeza, embora, por outro lado, se encontrem praticamente desvanecidos no esterco do mundo actual. Um de tais casos é o relativo à fides.

Em latim o sentido do termo não é a “fé”, mas sim sobretudo a fidelidade: a um compromisso, a um juramento, a um pacto, à palavra dada, a um vínculo livremente aceite. Para além do mundo meramente humano, a fides transforma-se em “fé”, estende-se às relações com potências superiores, e então ela funda a religio, termo que na sua origem significava “vinculação”: vinculação entre o indivíduo e o divino. O pressuposto existencial da fides no primeiro sentido e, simultaneamente, aquilo do qual a mesma é sua manifestação, é a virtus, não na sua acepção moralista ou inclusive sexual, mas no sentido de uma firmeza interior, de uma rectidão.

Portanto é à romanidade antiga que nos podemos referir em primeiro lugar em relação ao ideal em questão. Assim se deu à fides a figura de uma deusa, em Roma a mesma foi objecto de um culto entre os mais antigos e sabedores. Fides romana, se dizia em tempos pré-históricos; alma fides, fides, sancta, casta, incorrupta, se dirá mais tarde. A mesma é uma característica dos romanos, afirma Lívio; ela define o romano ante o “bárbaro”, na antítese de uma norma de uma adesão incondicional a um pacto jurado e à conduta de quem ao contrário segue as contingências e a oportunidade, sob o signo daquela entidade que era denominada “Fortuna”. Máxima era a adesão àquela norma entre os antigos, refere-nos Sérvio, maxima erat apud majores cura fidel. Com sua decadência, adverte profeticamente Cícero, também a virtus decai, assim como o costume, a interior dignidade e a força dos povos.

É assim que a fides em Roma pôde ter um templo simbólico, aedes Fidei populi romani, no centro da cidade, no Capitólio, perto do templo do máximo Deus, de Júpiter. Esta contiguidade possui um significado particular. Da mesma maneira que Zeus entre os Gregos, Mitra entre os Iranianos, Indra entre os Hindus, Júpiter, representação romana de um não diferente princípio metafísico, era em Roma o deus do juramento e da lealdade. Qual deus do céu luminoso, Lucetius, ele era também o dos pactos jurados, do compromisso claro e privado de reticências. Dizia-se: Jovis fiducia; com o qual a fides recebia um crisma religioso e uma sanção sobrenatural.

E este valor incluiu-se também na realidade política. Assim, o próprio Senado pôde aparecer como um “templo vivente da fidelidade” – fides templum vivum – e às vezes o mesmo se reunia ao redor do altar capitolino da deusa. Por outro lado, o emblema mais corrente para a fides foi o estandarte da águia das legiões, e a fidelidade assumiu a forma essencial de fidelidade guerreira ante o chefe e o soberano: fides equitum, fides militum. A mencionada interferência com a esfera sagrada encontra uma nova confirmação no facto de que em Roma existiu uma enigmática relação entre os conceitos de fidelidade, de vitória e de vida imortal. À Victoria, concebida e personificada como uma entidade mística, o Senado romano prestava com efeito o seu juramento de fidelidade com um rito tradicional que foi o último a resistir ante o advento dos novos cultos cristãos: fides Victoriae. A síntese mais sugestiva foi, a tal respeito, uma representação da época imperial na qual a Fides personificada e divinizada leva entre outras coisas a imagem da Victoria e um globo sobrevoado por uma Fénix, ou seja pelo símbolo animal das ressurreições, enquanto no alto se vê um imperador no acto de sacrificar a Júpiter, enquanto é coroado por Victoria.

Assim com o Sacro Império Romano, na Idade Media, voltou a ideia romana, ao mesmo tempo houve um retorno da ética da fidelidade, que, como uma comum herança indo-europeia, era própria de modo eminente das estirpes germânicas. Deste modo trust, Treux, fides, ou como se pudesse haver denominado um mesmo princípio, teve um papel essencialíssimo no mundo medieval, em especial no feudal, do qual se constituiu na premissa fundamental. Pode-se falar de um sacramentum fidelitatis e uma máxima do Código Saxão, do Sachenspiegel foi: “Nossa honra chama-se fidelidade”; também na epopeia dos Nibelungos, no Niebelungenlied, se encontra o dito de que “a fidelidade é mais forte que o fogo”.

A tradição perpetuou-se para além da Idade Média sobretudo na área germânica, de tal modo que a Alemanha procurou quase, como um monopólio unilateral, convertê-la numa característica nacional ou de raça, alcunhando a fórmula Deutsche Treue, ou seja: “fidelidade germânica”. No entanto não há dúvida de que o conceito de fidelidade teve um particular relevo no prussianismo, em especial no exército, no corpo de oficiais e na nobreza, e sabe-se que a impossibilidade que se sentiu de violar a fidelidade ao juramento prestado foi aquilo que bloqueou acções intentadas contra Hitler, apesar de tudo aquilo que poderia ter justificado, desde um certo ponto de vista, tal infracção. Por outro lado, um dos aspectos positivos do nacional-socialismo foi a sua tentativa de pôr justamente a fidelidade, associada à honra, como fundamento de uma reconstrução orgânica e anti-marxista da economia. Na correspondente legislação, contra o “classismo” da luta de classes e do sindicalismo, postulava-se a solidariedade ética. O empresário tinha que corresponder à figura de um chefe (Führer), com uma correspondente autoridade e correspondentes responsabilidades, os mestres de ofício tinham que corresponder à figura de “séquito” próprio (Gefolgshaft) associado a ele e fiel na actividade produtiva. Um denominado “tribunal de honra” era chamado a dirimir os eventuais conflitos.

Lamentavelmente na moderna área latina os mencionados princípios não tiveram a mesma força, e isso em grande medida também pelo predomínio da tendência individualista. No plano político-militar recorda-se o caso, na última guerra, do comportamento do Soberano italiano, que enquanto dava ao embaixador alemão a garantia formal de que Itália continuaria a combater ao lado do aliado, estabelecia acordos com o inimigo; junte-se a isso a sua atitude em relação a Mussolini. As distintas circunstâncias contingentes que podiam ter justificado uma tal conduta de um ponto de vista pragmático, não reflectem de modo algum a ética da qual a Roma antiga, tal como se viu, tanto se orgulhava. Talvez em Itália a última manifestação de tal orientação deu-se no final da II Guerra Mundial, quando um número significativo de italianos não hesitou em bater-se, ainda que em posições perdidas, justamente em nome do princípio de fidelidade e de honra.

Hoje em dia tudo isto aparece como anacrónico ou vale simplesmente como mera retórica, tão grande é a prevalência de um tipo de homem fugaz e sem carácter, sempre pronto a trocar de lado conforme ventos mais favoráveis e sempre mobilizado por baixos interesses. A democracia é o terreno mais propício para a “cultura” de um semelhante tipo. Na realidade existe uma relação estreita entre fides e personalidade. A fidelidade é algo que não se pode nem vender nem comprar. À lei obedecemos, às necessidades verga-mo-nos, à conveniência ponderá-mo-la, mas a fides, a fidelidade, apenas o acto livre de uma interior nobreza pode estabelecê-la. Fides significa pois personalidade.

- Il Conciliatore, Fevereiro de 1972.
"Amigo,
Quem quer que sejas, a quem as casualidades da Internet conduziram até aqui, sê bem-vindo. Aqui encontrarás pouco ou nada do que o mundo actual aprecia. Também não encontrarás a mínima preocupação de ser diferente."

- Monges da Cartuxa

O progresso...

Uma marcha "obscurantista"...



e uma marcha moderna!

Boletim Evoliano


Os interessados em adquirir o Boletim Evoliano em formato papel podem contactar a Legião Vertical.

Muralha

O soldado tem como profissão a guerra, mas é comum dizer-se que não é ele que a começa (“a guerra é a continuação da política por meios violentos”) e, por conseguinte, quem inicia a guerra são os políticos.

A nossa luta não entra nos manuais das célebres academias militares (será que alguma vez ouviram as expressões “cavalgar o tigre” ou “atacar onde o tigre mostra mais fragilidade”?); não somos guerrilheiros, a nossa forma de combate ainda não lhes suscitou particular interesse, muito embora a sua preparação lhes deixe antever algo de “novo” e com formas muito diversificadas.

Nós temos algumas vantagens: podemos aprender com os erros ou as vitórias deles, e eles não podem aprender connosco, pela nossa “insignificância” e até porque ignoram a nossa existência.

A sociedade económico-pária onde temos que viver, trabalhar e educar os nossos filhos, está tão absorvida na sua alucinante viagem que, mesmo não sabendo para onde caminha, esquece que há gente como nós, com uma perspectiva diferente. Gente diferenciada, que aguarda o momento oportuno para servir o “tigre” com o seu próprio veneno, aquele que é hoje publicitado como elixir da felicidade: o mundo globalizado das massas humanas indiferenciadas e consumidoras.

A nós cabe-nos, embora incapazes de conter tal avalanche, estar atentos, treinados, preparados e, como o bambu, permanecer flexivelmente firmes, enraizados. Para que tal aconteça há que ter consciência e observarmos algumas atitudes pessoais, essas sim que podemos alterar e pôr em prática sem estar à espera de conseguirmos sozinhos através de qualquer acto político ou belicista derrubar o governo ou governos cleptocratas das actuais democracias capitalistas.

O auto-controlo tantas vezes difícil de manter na nossa vida diária, em casa, no emprego ou na rua, que em muitas situações é activado pelo medo de perder o emprego ou de gerar mais violência com repercussões incalculáveis, deve ser no seio da nossa Ordem conscientemente assumido e posto em prática. Treinar a cortesia sem servilismo, treinar a dureza sem ódio.

Relembro, porque me parece oportuno, o que o nosso irmão, o Grego, escreveu na Muralha XVIII:

“Os conselheiros legionários devem estudar psíquica e emocionalmente a personalidade do Comandante para não tomarem atitudes que o irritem desnecessariamente… Devem protegê-lo dos incómodos e da perda de energia causados por discussões banais que o distraiam, no seu difícil trabalho de comando e orientação. Ele deve, isso sim, ter conselheiros – secretários por ele escolhidos, que o livrarão das preocupações menores.”

No plano das atitudes e comportamentos pessoais, e porque nenhum de nós é rico, estando alguns inclusive a passar uma fase económica menos favorável, devemos lembrar-nos que o nosso trabalho, os nossos empregos, dão-nos alguma segurança económica – e isso é bom, mas não é tudo!

Atenção portanto, com quem pensa acumular grandes riquezas, e que quer fazer desta vida uma eterna batalha para ser rico, pois se já somos escravos, mais ou menos livres, de modo algum podemos virar prostitutas e agir como um burro a quem prenderam uma cenoura à frente da cabeça…

É preciso termos em mente que a ânsia de uma conquista económico-social pode inadvertidamente levar a um distanciamento de si mesmo e por conseguinte de tudo o que não tem a ver simplesmente com dinheiro como é o caso da Legião.

O saber usar as armas do inimigo, já noutras alturas mencionado, é também isto, meus caros camaradas: viver no meio deles sem nos deixarmos influenciar. Difícil? Sabemos que sim.

Mas então perguntarão: os ricos não podem fazer parte, ou é necessário ser-se sempre pobre ou remediado para pertencer à Legião?

Nós não queremos fazer sentir os ricos culpados, nem tirar aos pobres o sonho de o ser!

Poderíamos abordar esta questão de várias perspectivas, mas vejamos:

Um rico, um muito rico, ou um indivíduo que vive economicamente desafogado, e tenha conhecimento da nossa existência e que de nós pretenda aproximar-se… Vem até nós, passa uma temporada connosco, e até, suponhamos, conseguimos produzir a empatia necessária para ele ficar: será que facilmente aceitará a nossa Hierarquia, que não é baseada nem na classe social nem no diploma universitário?

Um juiz, por exemplo (rico ou desafogado), será que aceitava ser comandado por um indivíduo hierarquicamente (na sociedade-económico-laboral) inferior a ele?

Agora façamos um esforço e imaginemos que um indivíduo com as características socio-económicas atrás mencionadas se entrega verdadeiramente à nossa Causa e aceita a nossa Hierarquia – não é fácil, pois não? Mas se por acaso isso acontecer sabemos então perfeitamente que estamos na presença de um Homem Diferenciado. Alguém que ultrapassou o homo economicus que há em si.

O problema é quando no nosso íntimo continua latente a necessidade, diríamos primária, de subirmos na Hierarquia de Ferro, não com a intenção de obtermos meios (as armas do inimigo) para ajudar a Hierarquia de Ouro, mas para simplesmente conseguir ouro galgando os degraus do ferro.

Somos soldados, e se bem que o ouro seja também para nós aliciante, não nos deixaremos ofuscar pelo seu brilho nem faremos dele o nosso objectivo. As nossas riquezas são: as nossas armas, os nossos camaradas, a nossa Ordem e a serena vontade de sermos Diferenciados num mundo em ruínas.

Sabemos que outros núcleos, outros movimentos, outras irmandades se organizam e laboram, tal como nós, em prol do advento de uma nova Idade de Ouro. Haverá em cada elemento ou grupo propensões diferentes próprias do carácter e personalidade de quem as integra e dirige: haverá vocações guerreiras, outras culturais, outras místicas ou mais espirituais e outras ainda políticas, estas talvez as que menos nos interessam como forma prática de actuação. No contexto actual tal acção não passaria de passatempo enganador… Alguns de nós que estivemos mais ou menos envolvidos e participamos nalgumas manifestações políticas sabemos que cada ilusão de avanço tem levado a um maior recuo.

Portanto pormos em evidência uma acção política externa, e é disso que estamos a falar, sobretudo a nós tradicionalistas evolianos, não nos traria grandes vantagens. O nosso trabalho é sobretudo interno e, embora com algumas nuances pragmáticas, não é para nós mas para as futuras gerações. Isto não põe de lado, como é óbvio, a hipótese de darmos o nosso contributo, marcando presença, sempre que acharmos necessário.

Templários

A Pobreza

A pobreza «é uma das essenciais colunas» da vida monástica. Ser pobre por fatalidade nunca se considera motivo de grandeza, mas de misericórdia. O pobre que é pobre por não conseguir ser rico padece de uma carência, espécie de moléstia, que pode resultar incurável. A pobreza é então moléstia, sem mérito, salvo o que decorre do que, possuído de caridade, ajuda essa pobreza a suavizar-se, ou mitiga o sofrimento do pobre mediante a esmola, a caridade, ou o serviço social. Neste caso verifica-se a realeza do prolóquio: «há males que vêm por bem»…

Ser pobre por eleição eis um motivo de grandeza e de glória… O voto de pobreza é um carisma, exprime a grandeza da alma que se aposta num despojamento das coisas e dos bens materiais, para concentrar a alma no que mais importa. Na vida monástica, a pobreza, além de carisma essencial, releva do benefício de cada um nada ter, em favor da comunidade que tudo possui.

O Silêncio

O silêncio constitui, na vida de uma comunidade religiosa, uma forma tácita de palavra de vida. Quando a boca e os lábios se calam é porque o dono da casa entrou na sua mansão. A regra do silêncio institui-se como bem da vida comum, do património da corporação.

A Obediência

A clave da Regra é o voto de obediência… Obedecer é viver conforme a Regra: cumpri-la, letra a letra. Ao prometer os votos o cavaleiro deixa de ter vontade própria. Nada fará do que lhe possa apetecer, ou do que achar por bem planear, mesmo que seja uma boa acção. O cavaleiro vive o caminho da perfeição, obedecendo. A Regra, é apresentada aos que «proprias voluntates sequi contemnunt», aos que têm a generosidade de renunciar à própria vontade, para fazerem a dos Irmãos em comunidade. Não há obediência ao Mestre se não houver obediência à Regra; obedecer à Regra significa obedecer ao Mestre, aos Irmãos, à Ordem.

O Irmão que cumpre o voto de obediência cumpre por concomitância os demais votos, porque só a obediência é englobante.

Extraído do livro, A Regra Primitiva dos Cavaleiros Templários, de Pinharanda Gomes (Hugin Editores).
Imagem: Il Sangue contro l’oro de Franco Cenerelli.

Ao relermos um dos textos publicados no Causa Nacional retivemos estas breves passagens:

«Quem tiver o culto da dignidade, do aprumo, da coragem, não pode deixar de sentir veneração profunda pela arrancada sem esperança dos fiéis do último Mussolini, o Mussolini que, deliberadamente, enveredou pelo rumo do perigo, da amargura, da impopularidade, preferindo quebrar a torcer e mostrando-se, na adversidade do seu dramático e respeito do que nas horas triunfantes das vitórias e dos êxitos estrondosos.

Conforme escreveu Julius Evola (que também esteve com a República Social): “O valor do segundo fascismo está no seu aspecto combatentístico e legionário; como já muito justamente se disse, talvez pela primeira vez na… história, número importante de italianos escolheu, resolutamente, a vida do sacrifício, da derrota, em nome do princípio da fidelidade a um chefe e à honra militar. O seu valor esteve, de uma forma geral, na disposição heróica a lutar ainda que por posições perdidas já.”
»

Tropa de Elite (I)

O filme de José Padiha, vencedor do Festival de Berlim deste ano, tem estreia marcada nos cinemas portugueses a 10 de Julho. Depois de muitos de nós já o termos visto à socapa chegou a hora de o vermos no grande ecrã.

Momento histórico?

Acabamos de ouvir, no programa “A Herança” da RTP 1, a seguinte questão: “A obra «Revolta contra o Mundo Moderno» é da autoria de Julius Evola? Verdadeiro ou Falso?” Julius Evola mencionado pela primeira vez na televisão nacional?

Solstício

Irmãos, camaradas e amigos,

Reunimo-nos hoje, como vem sendo habitual, para celebrar em contacto com a Natureza o Solstício de Verão e realizar a nossa “Marcha dos Elementos: Terra, Água, Ar e Fogo”. Todos temos percepção da terra que pisamos, da água que nos molha o rosto, do ar que respiramos e do fogo que tudo queima e transforma.

Aneximandro, filósofo pré-socrático, diz-nos que o princípio de todas as coisas é o «Apeiron», palavra grega que, não se podendo traduzir com muita precisão, significa o infinito, o indeterminado, o que não se pode medir, o grandioso, o magnificente, ou seja, o que em linguagem alquímica corresponde ao 5º elemento – o Éter – inatingível por qualquer esquema mental.

Afirmava Anaximandro que deste “Éter” surgem todas as coisas – o Princípio Imutável. Princípio inapalpável e que de nós se afasta cada vez que o tentamos alcançar através do raciocínio evolucionista, descurando o conhecimento iniciático, intuitivo ou, para não parecermos tão pretensiosos, o sentimento de verdade, de uma certeza interior de algo que já nos pertenceu e que relembramos como uma espécie de saudade.

É relativamente fácil entendermos o nosso corpo como elemento físico, composto em sua grande maioria por água e que necessita constantemente de ar que alimenta o nosso fogo…

Empédocles, outro pré-socrático, fala-nos não só do Fogo, mas de quatro Elementos que nos livros de filosofia surgem como as «quatro raízes». É um dos poucos pré-socráticos que expõe claramente os Quatro Elementos com o mesmo nome e na mesma ordem com que os recolherá a Alquimia tradicional… A ordem estratigráfica dos elementos começa por: Terra – Água – Ar – Fogo – Éter, a ordem genética é a inversa.

Para Anaxímanes o Ar é o Principio concreto da Natureza. Explica que este Ar é o alento. O Alento Divino que vivifica todas as coisas. Do Ar nascem todas as coisas, e ao Ar regressam quando se corrompem a nível material. O Ar é um Principio que dá origem e que serve de regresso.

Segundo nos relata Aristóteles, para Tales de Mileto o Princípio de todas as coisas é a Água. A água alquímica o elemento vital, prânico, a energia do Universo.

Constatamos assim que embora se chamasse a estes filósofos pré-socráticos de “físicos”, por tentarem perceber a origem “física” da Natureza, na realidade não parece existir aqui nada de Filosofia nem de Física tal como concebemos hoje estas disciplinas.

Mas a sensação que nos fica é que nestes primórdios a lógica e a razão (modernistas) não ocupavam um lugar de destaque nos antigos sábios, mas ao contrário o aspecto “mágico” oculto numa linguagem, diríamos, iniciática eram a forma de entender a Natureza e chegar à Verdade.

Recordamos também que as escolas iniciáticas do Oriente, mais concretamente na China, nos falam de cinco elementos: «Água, Fogo, Madeira, Metal, Terra».

Para nós, Legionários, tudo isto nos interessa porque sabemos que é penetrando nas origens que a Verdade está mais nítida. E vamos também tendo a percepção que nem só a razão e a lógica nos explicam o Mundo. E quando os nossos actuais cientistas parecem ir descobrindo racionalmente a origem do Universo, avançando as suas materialistas explicações, nós reparamos que uma sabedoria muito, muito antiga já “irracionalmente” dizia o que os modernos físicos dizem.

E acrescentamos que vários mitos da Antiguidade, presentes em culturas geograficamente distanciadas e distintas, revelam-nos uma semelhança assustadora no seu conteúdo simbólico, o que nos faz recordar Julius Evola e as suas investigações e explicações comparadas das antigas e tradicionais culturas que nos levam à tal Idade de Ouro e a uma Ciência Primordial.

E porque este nosso texto toca na Alquimia transcrevemos da obra do Mestre “A Tradição Hermética”, o seguinte trecho:

«A Ascese Hermética

Na alquimia grega encontramos como condições gerais a pureza tanto do coração como corporal, a rectidão, o desinteresse, a ausência de cupidez, de inveja e de egoísmo. «Quem realizar estas condições é digno, e só o digno se faz participante da graça do alto, a qual, no mais profundo recolhimento da alma, em sonhos verdadeiros e visões, lhe abre o intelecto à compreensão do “Grande Mistério dos Sacerdotes Egípcios”… comunicado por estes só oralmente ou de um modo enigmático que “engana os demónios”, e que a esse digno torna a “Arte Sagrada” tão fácil como um “jogo de crianças”.»

A nossa higiene física, mental, moral e espiritual são também para nós os primeiros passos para nos mantermos de pé entre as ruínas.

Avé!

Julius Evola - Presente!



(19/05/1898 - 11/06/1974)

Um outro 10 de Junho...



Muralha III


Falemos dos Guardiões.
Guarda, guardião é aquele que preserva, que trata, conserva, protege, esconde, auxilia, orienta, obedece e manda. Ser guardião é tudo isso e muito mais: é união, é disciplina, é rigor, é amor e sabedoria, é vontade. Vontade de saber, de agir, de trabalhar, de lutar. É pensamento e obra... é triunfo. Com estes objectivos se criaram as guardas masculina e feminina. Corpos uniformizados e disciplinados capazes de um forte sentido de fidelidade, de dedicação e serviço.
A história do homem é feita de guerra e paz, de grandes e pequenos exércitos, de batalhas e guerrilhas, do nascimento e queda de impérios. Apareceram heróis, salvadores e mártires. Conhecemos monstros sanguinários, personagens diabólicas. Viveram-se momentos felizes durante as guerras, como se viveram momentos de angústia em tempos de "paz". Guerras entre povos, guerras religiosas, guerras entre classes o separatismo está sempre na moda e enfim, um prolongado etc. Há quem faça a guerra para enriquecer. Há quem queira a paz para não perder. De um lado falam-nos em guerras justas, do outro em guerras santas. Uns buscam ouro na terra enquanto outros virgens no céu. Todos prometem algo, há sempre alguma coisa em troca. Há os que lutam pela liberdade e sendo este o seu objectivo de vitória escravizam a derrota dos outros. De um lado os vencidos, do outro os vencedores. Depois a grande mentira: de um lado o bem e do outro o mal. Não nos iludamos, o processo de decadência que a humanidade conhece só tem uma definição de guerra: um ganha, outro perde, já foi teu agora é meu.
Nós guardiões não temos um ideal de conquista no sentido material, nem buscamos a vitória pela vitória. O nosso ideal de Justiça e Beleza são a busca do equilíbrio perdido entre o Homem e a Natureza, entre o Homem e o Divino, e por consequência entre o homem e a sua consciência divina (Krixna em Bhagavad-Gita).
Os líderes actuais da decadência orientam o rebanho na busca da riqueza, baseiam-se num processo ilusório de necessidades, chave mestra da economia – a nova divindade.
Como nos diz Julius Évola: "A economia actuou na essência inferior do homem moderno e através da civilização por ele criada, tal como o fogo se transmite de um ponto para outro, enquanto não arde tudo. E a correspondente "civilização", partindo dos seus focos ocidentais, difundiu o contágio a todas as terras ainda sãs, trouxe a inquietação, a insatisfação, o ressentimento, a incapacidade de se possuir um estilo de simplicidade, de independência e de comedimento, a necessidade de avançar sem parar e cada vez mais rapidamente no seio de todas as camadas sociais e de todas as raças; ela foi empurrando o homem cada vez mais longe, foi-lhe impondo a necessidade de um número cada vez maior de coisas, tornou-o portanto cada vez mais insuficiente e cada vez mais impotente - em cada nova invenção, cada nova descoberta técnica, em vez de ser uma conquista, marca uma nova derrota, é uma nova chicotada destinada a tornar a corrida ainda mais rápida e ainda mais cega. É assim que as diferentes vias convergem: a civilização mecânica, a economia soberana, a civilização da produção e dos consumos coincidem com a exaltação do devir e do progresso, do impulso vital ilimitado – em resumo com a manifestação do "demoníaco" no " mundo moderno".
Guerra e economia – os soldados não têm comandantes, obedecem a patrões que lhes pagam o ordenado... são livres, democraticamente enviados pelos governos do povo" para restaurar liberdades e democracias", braços políticos da economia capitalista. Este é o cenário actual: democracias – esquerdas direitas – capitalismo economia... os novos mitos.
Somos Guardiões, uma milícia de fé, acreditamos em valores intemporais, que irrompem de um supra mundo. Sabemos que as modas são passageiras e por vezes perigosas. O processo de degeneração em curso só tem um caminho – o abismo.
Vamos procurar manter uma chama acesa para servir de farol na tempestade.
Agosto/2003

A Ordem da Coroa de Ferro (Excertos)

1. Os homens da Ordem têm o dever, acima de tudo, de ser exemplos vivos dos valores do puro Espírito, entendido como uma realidade transcendente, acima de qualquer valor meramente humano, acima de qualquer laço naturalista, “social” e individualista, e de defender e afirmar esses valores de formas apropriadas.
2. As devastações que caracterizam o mundo moderno impõem aos homens da Ordem a responsabilidade pela assumpção e afirmação de tais valores como distintos de formas e instituições mais ou menos historicamente condicionadas. Os homens da Ordem, notando que actualmente não existe nenhum sistema político ou social de natureza legítima, fiel a princípios superiores, mantêm-se distantes de todos eles. Podem estar presentes, e até aceitar cargos ou posições, em tais instituições, mas com o único propósito de exercer uma influência de natureza transcendente, directa ou indirecta. Quanto à distância a ser mantida em relação a todas as formas de religião, uma vez que a crescente decadência e secularização destas formas é auto-evidente, qualquer participação deve ser justificada pelo reconhecimento de valores básicos incondicionados.
(…)
4. Existem distorções específicas da sociedade moderna, e tomar posição contra elas é uma premissa natural e essencial de aderência à Ordem. O que deve acima de tudo ser criticado com relação a isto é qualquer forma de democracia e igualitarismo, aos quais se deve opor um princípio fundador espiritual de autoridade e hierarquia. Qualquer mito “social” proletário e colectivista deve ser ainda mais combatido. Desprezo pelas chamadas “classes trabalhadoras” é um ponto essencial. Os homens da Ordem opõem-se a qualquer amiguismo, a qualquer escalada de forças inferiores até ao poder e a qualquer conceito de escalão, privilégio e poder definido em termos de dinheiro e riqueza. A tarefa dos homens da Ordem é afirmar a supremacia de valores espirituais heróicos, aristocráticos e tradicionais contra o materialismo prático, o imoralismo mesquinho e utilitarismo dos nossos tempos. Em todas as ocasiões eles erguer-se-ão em defesa destes valores e opor-se-ão e desmascararão o que os contradisser.
(…)
6. O centro de gravidade da Ordem não reside nem numa confissão religiosa concreta nem em nenhum movimento político, e ademais, no seu espírito, a Ordem mantém-se distante de tudo o que pretende ser “cultura” no sentido moderno, intelectualista e profano. O fundamento do homem da Ordem é pelo contrário, em primeiro lugar, um modo de ser; em segundo lugar, uma dada visão da vida, como sua expressão; em terceiro lugar, os elementos de estilo para uma atitude pessoal de rectidão e coerência na vida, juntos com uma norma para o domínio da acção.
- Julius Evola, “A Ordem da Coroa de Ferro”
Powered by Blogger