Cavalgar o tigre
Porque hoje, dia 3 de Outubro de 2008, é preciso recordar as palavras do Mestre e definitivamente aprendermos a Cavalgar o Tigre:
Porque hoje, dia 3 de Outubro de 2008, é preciso recordar as palavras do Mestre e definitivamente aprendermos a Cavalgar o Tigre:Relembramo-nos deste tema a propósito de uma conversa que recentemente tivemos com um amigo nosso. Contava-nos ele que certos indivíduos por estarem na “nossa área” e portanto contra este modelo económico-social, não davam a importância devida ao dinheiro… eram, em última análise, dizia-nos, maus a fazer e a prestar contas.
Há uns meses recebemos um contacto de Inglaterra de um (mais um) indivíduo da “nossa área” que queria a t-shirt de Julius Evola. Depois de estudada a melhor forma de enviar a dita para Inglaterra e depois de se verificar que os ingleses (também nisto) não tinham a “convenção europeia de correios”, decidimos enviar a t-shirt sem ser à cobrança. Assim fizemos, carta registada com o conteúdo lá dentro, e informamos o inglês que quando recebesse a encomenda nos enviasse os euros da mesma forma. Até à data estamos à espera do dinheiro. É claro que esta questão foi debatida entre nós antes do envio mas chegamos à conclusão que valia a pena arriscar e desta forma sabermos se era realmente um dos nossos ou não. Neste caso perdemos uns trocos mas ganhamos uma certeza – este indivíduo não é dos nossos.
Também conhecemos outros que com emprego e profissão estável dão mais importância às gorjetas que muitas vezes ilicitamente recebem do que ao vencimento a que têm direito pelo seu trabalho. E isto, embora não pareça, é grave, mostra falta de carácter, uma atitude de servilismo própria de gente inferior.
Não queremos dar demasiada importância ao assunto, mas preocupa-nos que gente que se diz da nossa, se “esqueça” de pagar as dívidas, de devolver os livros que lhes emprestam, etc. O que não nos pertence devolve-se, se não nos pesa nas mãos deve, se formos homens, pesar-nos na consciência.
O ser contra o sistema burguês capitalista não pode jamais servir de desculpa para não se cumprir com as obrigações e a palavra dada, sobretudo para com os seus camaradas.
Quando falamos com pessoas mais velhas, e tendo em conta os dias que correm, costuma vir ao de cima a frase batida: “eu ainda sou do tempo em que a palavra e um aperto de mão selavam os contratos, e ai de quem falhasse!”
Pois bem, a célebre Palavra de Honra que conhecemos como selo contratual máximo e apanágio de outras épocas já passou de moda, e é bom que tenhamos presente que não foi uma invenção burguesa para selar contratos comerciais. Na passagem do domínio da casta guerreira para a mercantil, os burgueses, senhores do Terceiro Estado, copiaram, e ainda bem, pormenores que não faziam propriamente parte dos seus “genes” e ganharam com esta atitude respeitabilidade fazendo com que outros os admirassem (também) como Senhores, homens de palavra – Homens de Honra.
Com o advento do Quinto Estado, o do pária, a confusão aumentou, já não sabemos mais onde estão os homens e muito menos os Homens de Honra. Relembrando um outro caso em que alguém ligado ao sistema judiciário nos dizia: a nova moda dos “ricos” para não cumprirem com as suas obrigações financeiras é apresentarem insolvência em Tribunal, eles já não têm vergonha, pelo contrário começa a ser sinal de um novo tipo: o “chic… esperto”!
A mesma fonte informava-nos conhecer uma empregada de limpeza que, encontrando-se financeiramente com a corda ao pescoço e mesmo depois de lhe explicada a situação do processo de insolvência… se recusava a “abrir falência”, pois tinha vergonha. Pôs a sua casa à venda e o marido emigrara para conseguir fazer face às dívidas.
Felizmente ainda há gente com vergonha. Pois só homens de honra conhecem esse sentimento. Não fosse o sentimento de vergonha (o nome manchado), um dos pilares da educação do jovem samurai – Bushido.
Julius Evola
A nossa luta não entra nos manuais das célebres academias militares (será que alguma vez ouviram as expressões “cavalgar o tigre” ou “atacar onde o tigre mostra mais fragilidade”?); não somos guerrilheiros, a nossa forma de combate ainda não lhes suscitou particular interesse, muito embora a sua preparação lhes deixe antever algo de “novo” e com formas muito diversificadas.
Nós temos algumas vantagens: podemos aprender com os erros ou as vitórias deles, e eles não podem aprender connosco, pela nossa “insignificância” e até porque ignoram a nossa existência.
A sociedade económico-pária onde temos que viver, trabalhar e educar os nossos filhos, está tão absorvida na sua alucinante viagem que, mesmo não sabendo para onde caminha, esquece que há gente como nós, com uma perspectiva diferente. Gente diferenciada, que aguarda o momento oportuno para servir o “tigre” com o seu próprio veneno, aquele que é hoje publicitado como elixir da felicidade: o mundo globalizado das massas humanas indiferenciadas e consumidoras.
A nós cabe-nos, embora incapazes de conter tal avalanche, estar atentos, treinados, preparados e, como o bambu, permanecer flexivelmente firmes, enraizados. Para que tal aconteça há que ter consciência e observarmos algumas atitudes pessoais, essas sim que podemos alterar e pôr em prática sem estar à espera de conseguirmos sozinhos através de qualquer acto político ou belicista derrubar o governo ou governos cleptocratas das actuais democracias capitalistas.
O auto-controlo tantas vezes difícil de manter na nossa vida diária, em casa, no emprego ou na rua, que em muitas situações é activado pelo medo de perder o emprego ou de gerar mais violência com repercussões incalculáveis, deve ser no seio da nossa Ordem conscientemente assumido e posto em prática. Treinar a cortesia sem servilismo, treinar a dureza sem ódio.
Relembro, porque me parece oportuno, o que o nosso irmão, o Grego, escreveu na Muralha XVIII:
“Os conselheiros legionários devem estudar psíquica e emocionalmente a personalidade do Comandante para não tomarem atitudes que o irritem desnecessariamente… Devem protegê-lo dos incómodos e da perda de energia causados por discussões banais que o distraiam, no seu difícil trabalho de comando e orientação. Ele deve, isso sim, ter conselheiros – secretários por ele escolhidos, que o livrarão das preocupações menores.”
No plano das atitudes e comportamentos pessoais, e porque nenhum de nós é rico, estando alguns inclusive a passar uma fase económica menos favorável, devemos lembrar-nos que o nosso trabalho, os nossos empregos, dão-nos alguma segurança económica – e isso é bom, mas não é tudo!
Atenção portanto, com quem pensa acumular grandes riquezas, e que quer fazer desta vida uma eterna batalha para ser rico, pois se já somos escravos, mais ou menos livres, de modo algum podemos virar prostitutas e agir como um burro a quem prenderam uma cenoura à frente da cabeça…
É preciso termos em mente que a ânsia de uma conquista económico-social pode inadvertidamente levar a um distanciamento de si mesmo e por conseguinte de tudo o que não tem a ver simplesmente com dinheiro como é o caso da Legião.
O saber usar as armas do inimigo, já noutras alturas mencionado, é também isto, meus caros camaradas: viver no meio deles sem nos deixarmos influenciar. Difícil? Sabemos que sim.
Mas então perguntarão: os ricos não podem fazer parte, ou é necessário ser-se sempre pobre ou remediado para pertencer à Legião?
Nós não queremos fazer sentir os ricos culpados, nem tirar aos pobres o sonho de o ser!
Poderíamos abordar esta questão de várias perspectivas, mas vejamos:
Um rico, um muito rico, ou um indivíduo que vive economicamente desafogado, e tenha conhecimento da nossa existência e que de nós pretenda aproximar-se… Vem até nós, passa uma temporada connosco, e até, suponhamos, conseguimos produzir a empatia necessária para ele ficar: será que facilmente aceitará a nossa Hierarquia, que não é baseada nem na classe social nem no diploma universitário?
Um juiz, por exemplo (rico ou desafogado), será que aceitava ser comandado por um indivíduo hierarquicamente (na sociedade-económico-laboral) inferior a ele?
Agora façamos um esforço e imaginemos que um indivíduo com as características socio-económicas atrás mencionadas se entrega verdadeiramente à nossa Causa e aceita a nossa Hierarquia – não é fácil, pois não? Mas se por acaso isso acontecer sabemos então perfeitamente que estamos na presença de um Homem Diferenciado. Alguém que ultrapassou o homo economicus que há em si.
O problema é quando no nosso íntimo continua latente a necessidade, diríamos primária, de subirmos na Hierarquia de Ferro, não com a intenção de obtermos meios (as armas do inimigo) para ajudar a Hierarquia de Ouro, mas para simplesmente conseguir ouro galgando os degraus do ferro.
Somos soldados, e se bem que o ouro seja também para nós aliciante, não nos deixaremos ofuscar pelo seu brilho nem faremos dele o nosso objectivo. As nossas riquezas são: as nossas armas, os nossos camaradas, a nossa Ordem e a serena vontade de sermos Diferenciados num mundo em ruínas.
Sabemos que outros núcleos, outros movimentos, outras irmandades se organizam e laboram, tal como nós, em prol do advento de uma nova Idade de Ouro. Haverá em cada elemento ou grupo propensões diferentes próprias do carácter e personalidade de quem as integra e dirige: haverá vocações guerreiras, outras culturais, outras místicas ou mais espirituais e outras ainda políticas, estas talvez as que menos nos interessam como forma prática de actuação. No contexto actual tal acção não passaria de passatempo enganador… Alguns de nós que estivemos mais ou menos envolvidos e participamos nalgumas manifestações políticas sabemos que cada ilusão de avanço tem levado a um maior recuo.
Portanto pormos em evidência uma acção política externa, e é disso que estamos a falar, sobretudo a nós tradicionalistas evolianos, não nos traria grandes vantagens. O nosso trabalho é sobretudo interno e, embora com algumas nuances pragmáticas, não é para nós mas para as futuras gerações. Isto não põe de lado, como é óbvio, a hipótese de darmos o nosso contributo, marcando presença, sempre que acharmos necessário.
A PobrezaAo relermos um dos textos publicados no Causa Nacional retivemos estas breves passagens:
«Quem tiver o culto da dignidade, do aprumo, da coragem, não pode deixar de sentir veneração profunda pela arrancada sem esperança dos fiéis do último Mussolini, o Mussolini que, deliberadamente, enveredou pelo rumo do perigo, da amargura, da impopularidade, preferindo quebrar a torcer e mostrando-se, na adversidade do seu dramático e respeito do que nas horas triunfantes das vitórias e dos êxitos estrondosos.
Conforme escreveu Julius Evola (que também esteve com a República Social): “O valor do segundo fascismo está no seu aspecto combatentístico e legionário; como já muito justamente se disse, talvez pela primeira vez na… história, número importante de italianos escolheu, resolutamente, a vida do sacrifício, da derrota, em nome do princípio da fidelidade a um chefe e à honra militar. O seu valor esteve, de uma forma geral, na disposição heróica a lutar ainda que por posições perdidas já.”»
Irmãos, camaradas e amigos,
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