Templários
Etiquetas: Citações , Imagem/vídeo , Outros
A PobrezaA pobreza «é uma das essenciais colunas» da vida monástica. Ser pobre por fatalidade nunca se considera motivo de grandeza, mas de misericórdia. O pobre que é pobre por não conseguir ser rico padece de uma carência, espécie de moléstia, que pode resultar incurável. A pobreza é então moléstia, sem mérito, salvo o que decorre do que, possuído de caridade, ajuda essa pobreza a suavizar-se, ou mitiga o sofrimento do pobre mediante a esmola, a caridade, ou o serviço social. Neste caso verifica-se a realeza do prolóquio: «há males que vêm por bem»…
Ser pobre por eleição eis um motivo de grandeza e de glória… O voto de pobreza é um carisma, exprime a grandeza da alma que se aposta num despojamento das coisas e dos bens materiais, para concentrar a alma no que mais importa. Na vida monástica, a pobreza, além de carisma essencial, releva do benefício de cada um nada ter, em favor da comunidade que tudo possui.
O Silêncio
O silêncio constitui, na vida de uma comunidade religiosa, uma forma tácita de palavra de vida. Quando a boca e os lábios se calam é porque o dono da casa entrou na sua mansão. A regra do silêncio institui-se como bem da vida comum, do património da corporação.
A Obediência
A clave da Regra é o voto de obediência… Obedecer é viver conforme a Regra: cumpri-la, letra a letra. Ao prometer os votos o cavaleiro deixa de ter vontade própria. Nada fará do que lhe possa apetecer, ou do que achar por bem planear, mesmo que seja uma boa acção. O cavaleiro vive o caminho da perfeição, obedecendo. A Regra, é apresentada aos que «proprias voluntates sequi contemnunt», aos que têm a generosidade de renunciar à própria vontade, para fazerem a dos Irmãos em comunidade. Não há obediência ao Mestre se não houver obediência à Regra; obedecer à Regra significa obedecer ao Mestre, aos Irmãos, à Ordem.
O Irmão que cumpre o voto de obediência cumpre por concomitância os demais votos, porque só a obediência é englobante.
Extraído do livro, A Regra Primitiva dos Cavaleiros Templários, de Pinharanda Gomes (Hugin Editores).
Ao relermos um dos textos publicados no Causa Nacional retivemos estas breves passagens:
«Quem tiver o culto da dignidade, do aprumo, da coragem, não pode deixar de sentir veneração profunda pela arrancada sem esperança dos fiéis do último Mussolini, o Mussolini que, deliberadamente, enveredou pelo rumo do perigo, da amargura, da impopularidade, preferindo quebrar a torcer e mostrando-se, na adversidade do seu dramático e respeito do que nas horas triunfantes das vitórias e dos êxitos estrondosos.
Conforme escreveu Julius Evola (que também esteve com a República Social): “O valor do segundo fascismo está no seu aspecto combatentístico e legionário; como já muito justamente se disse, talvez pela primeira vez na… história, número importante de italianos escolheu, resolutamente, a vida do sacrifício, da derrota, em nome do princípio da fidelidade a um chefe e à honra militar. O seu valor esteve, de uma forma geral, na disposição heróica a lutar ainda que por posições perdidas já.”»
Tropa de Elite (I)
Momento histórico?
Solstício
Etiquetas: Actividades , Comentário , Documentos
Irmãos, camaradas e amigos,Reunimo-nos hoje, como vem sendo habitual, para celebrar em contacto com a Natureza o Solstício de Verão e realizar a nossa “Marcha dos Elementos: Terra, Água, Ar e Fogo”. Todos temos percepção da terra que pisamos, da água que nos molha o rosto, do ar que respiramos e do fogo que tudo queima e transforma.
Aneximandro, filósofo pré-socrático, diz-nos que o princípio de todas as coisas é o «Apeiron», palavra grega que, não se podendo traduzir com muita precisão, significa o infinito, o indeterminado, o que não se pode medir, o grandioso, o magnificente, ou seja, o que em linguagem alquímica corresponde ao 5º elemento – o Éter – inatingível por qualquer esquema mental.
Afirmava Anaximandro que deste “Éter” surgem todas as coisas – o Princípio Imutável. Princípio inapalpável e que de nós se afasta cada vez que o tentamos alcançar através do raciocínio evolucionista, descurando o conhecimento iniciático, intuitivo ou, para não parecermos tão pretensiosos, o sentimento de verdade, de uma certeza interior de algo que já nos pertenceu e que relembramos como uma espécie de saudade.
É relativamente fácil entendermos o nosso corpo como elemento físico, composto em sua grande maioria por água e que necessita constantemente de ar que alimenta o nosso fogo…
Empédocles, outro pré-socrático, fala-nos não só do Fogo, mas de quatro Elementos que nos livros de filosofia surgem como as «quatro raízes». É um dos poucos pré-socráticos que expõe claramente os Quatro Elementos com o mesmo nome e na mesma ordem com que os recolherá a Alquimia tradicional… A ordem estratigráfica dos elementos começa por: Terra – Água – Ar – Fogo – Éter, a ordem genética é a inversa.
Para Anaxímanes o Ar é o Principio concreto da Natureza. Explica que este Ar é o alento. O Alento Divino que vivifica todas as coisas. Do Ar nascem todas as coisas, e ao Ar regressam quando se corrompem a nível material. O Ar é um Principio que dá origem e que serve de regresso.
Segundo nos relata Aristóteles, para Tales de Mileto o Princípio de todas as coisas é a Água. A água alquímica o elemento vital, prânico, a energia do Universo.
Constatamos assim que embora se chamasse a estes filósofos pré-socráticos de “físicos”, por tentarem perceber a origem “física” da Natureza, na realidade não parece existir aqui nada de Filosofia nem de Física tal como concebemos hoje estas disciplinas.
Mas a sensação que nos fica é que nestes primórdios a lógica e a razão (modernistas) não ocupavam um lugar de destaque nos antigos sábios, mas ao contrário o aspecto “mágico” oculto numa linguagem, diríamos, iniciática eram a forma de entender a Natureza e chegar à Verdade.
Recordamos também que as escolas iniciáticas do Oriente, mais concretamente na China, nos falam de cinco elementos: «Água, Fogo, Madeira, Metal, Terra».
Para nós, Legionários, tudo isto nos interessa porque sabemos que é penetrando nas origens que a Verdade está mais nítida. E vamos também tendo a percepção que nem só a razão e a lógica nos explicam o Mundo. E quando os nossos actuais cientistas parecem ir descobrindo racionalmente a origem do Universo, avançando as suas materialistas explicações, nós reparamos que uma sabedoria muito, muito antiga já “irracionalmente” dizia o que os modernos físicos dizem.
E acrescentamos que vários mitos da Antiguidade, presentes em culturas geograficamente distanciadas e distintas, revelam-nos uma semelhança assustadora no seu conteúdo simbólico, o que nos faz recordar Julius Evola e as suas investigações e explicações comparadas das antigas e tradicionais culturas que nos levam à tal Idade de Ouro e a uma Ciência Primordial.
E porque este nosso texto toca na Alquimia transcrevemos da obra do Mestre “A Tradição Hermética”, o seguinte trecho:
«A Ascese Hermética
Na alquimia grega encontramos como condições gerais a pureza tanto do coração como corporal, a rectidão, o desinteresse, a ausência de cupidez, de inveja e de egoísmo. «Quem realizar estas condições é digno, e só o digno se faz participante da graça do alto, a qual, no mais profundo recolhimento da alma, em sonhos verdadeiros e visões, lhe abre o intelecto à compreensão do “Grande Mistério dos Sacerdotes Egípcios”… comunicado por estes só oralmente ou de um modo enigmático que “engana os demónios”, e que a esse digno torna a “Arte Sagrada” tão fácil como um “jogo de crianças”.»
A nossa higiene física, mental, moral e espiritual são também para nós os primeiros passos para nos mantermos de pé entre as ruínas.
Avé!
Julius Evola - Presente!
Etiquetas: Imagem/vídeo , Outros
Muralha III
Como nos diz Julius Évola: "A economia actuou na essência inferior do homem moderno e através da civilização por ele criada, tal como o fogo se transmite de um ponto para outro, enquanto não arde tudo. E a correspondente "civilização", partindo dos seus focos ocidentais, difundiu o contágio a todas as terras ainda sãs, trouxe a inquietação, a insatisfação, o ressentimento, a incapacidade de se possuir um estilo de simplicidade, de independência e de comedimento, a necessidade de avançar sem parar e cada vez mais rapidamente no seio de todas as camadas sociais e de todas as raças; ela foi empurrando o homem cada vez mais longe, foi-lhe impondo a necessidade de um número cada vez maior de coisas, tornou-o portanto cada vez mais insuficiente e cada vez mais impotente - em cada nova invenção, cada nova descoberta técnica, em vez de ser uma conquista, marca uma nova derrota, é uma nova chicotada destinada a tornar a corrida ainda mais rápida e ainda mais cega. É assim que as diferentes vias convergem: a civilização mecânica, a economia soberana, a civilização da produção e dos consumos coincidem com a exaltação do devir e do progresso, do impulso vital ilimitado – em resumo com a manifestação do "demoníaco" no " mundo moderno".
A Ordem da Coroa de Ferro (Excertos)
Etiquetas: Citações , Doutrina , Imagem/vídeo
Seremos soldados...
As cidades foram-nos tomadas, primeiro pelos mercadores, depois pela populaça que numa sequência terrivelmente lógica a entregou aos párias. A amálgama nauseabunda sufoca-nos, mais, quando pensamos nas futuras gerações, nos nossos filhos, e em como isso os vai afectar, como já nos afecta a nós que rejeitamos a “felicidade” que o Mundo Moderno nos quer vender.
Não queremos, nem poderíamos, ser felizes num mundo em que os párias se tornaram senhores. Somos obrigados a viver assim, com eles, talvez até lhes passemos a imagem de que desistimos, mas isso é também estratégia, porque na verdade não capitulamos e aí estamos… de Pé!
É na montanha que a nossa verticalidade se reflecte e é esse o espelho que nos dá força. É a ascensão que nos eleva ao sagrado e é lá no alto que nos revemos uns nos outros como Irmãos de Armas, e é aí que, a cada nova Primavera, renovamos o nosso juramento para com a Ordem.
Mas isto é também uma questão de equilíbrio, ascendermos em busca do nosso centro, da nossa Força Primordial.
As batalhas, a guerra, essa, sabemos bem onde vai ter lugar: nas urbes cinzentas, anárquicas, grafitadas, super-amontoadas, onde os párias das várias classes económicas habitam como peixes em água. É este o palco do conflito, o combate urbano, pelo nosso lar, pela nossa família, pelo nosso bairro, pela nossa cidade… pelo Ideal.
Seremos soldados, viveremos como soldados, e conquistaremos assim a Liberdade perdida.
A Acha (excerto)
Já tivemos a ocasião de revelar, que no mundo das origens, lá onde digamos, os ditos testemunhos “positivos”, ou perante essa ambiguidade, o símbolo e o mito podem muitas vezes oferecer um fio condutor precioso para uma exploração mais profunda do que superficial. Foi admitido, e não é de hoje, pelo racismo alemão, sobretudo quando eles se propuseram de completar as pesquisas antropológicas e biológicas através de uma espiritualidade e uma “visão de mundo” que lhes permitisse afirmar novamente os princípios dentro do domínio da história das religiões, da mitologia comparada, das tradições primordiais e das sagas. Em Itália, este assunto tem restado até agora, praticamente virgem. No entanto, e dentro do dito antigo mundo da península italiana, que desde a mais longínqua pré-história, foi submetido à influência de civilizações e povos muitos diversos, e que oferecem muito raramente um paralelismo rigoroso entre a pureza étnica e aquela das tradições correspondentes, uma pesquisa assimilando o símbolo e o mito num documento, poderá ter resultados de uma importante singularidade.Infiltrados no sistema
A ilusão da verdade
Dizia-nos um “jornalista”, correspondente na Arábia Saudita, aquando da primeira Guerra do Golfo: o ambiente é de guerra, parece guerra, é quase guerra… mas ainda não é guerra!
Há quem tenha descrito estes acontecimentos como uma guerra de baixa intensidade, nós também já usamos esta terminologia, mas desconfiamos das palavras…
Observamos o continente africano e reparamos que cada conflito de “baixa intensidade” acarreta sempre uma porção indiscriminada de vítimas entre feridos, mortos e desalojados. Poderemos apontar muitas causas para este “fenómeno”, as diferenças de números de vítimas e o grau de violência a elas associado:- questões étnicas (quase sempre, e se não começam por aí acabam como tal);
- questões religiosas (uma “modernidade” em crescendo);
- questões económicas (aqui falamos mesmo de sobrevivência);
- corrupção generalizada (sinceramente esta é a causa menos provável – é o modus vivendi africano, já estão habituados!);
- questões ditas políticas, defesa da democracia, direitos humanos e o blá, blá, habitué (umas balelas para certas potências estrangeiras terem ou meterem nos governos locais os seus caciques).
E talvez por fim poderíamos ser racistas e acrescentar que eles se matam uns aos outros duma forma tão selvagem e violenta porque são estúpidos que nem uns calhaus! Mas não o dizemos, porque embora bastante diferente o conflito, não esquecemos os Balcãs. Também lembramos que estamos atentos ao assalto do Kosovo por parte dos contrabandistas albaneses com o apoio de outros internacionais traficantes.
Voltando ao Ocidente “civilizado”, qualquer grupo que se junta numa claque de futebol e depois de beber uns copos e fumar umas drogas insulta, ameaça e acaba em violência física, fá-lo por “diversão”, espírito de manada e como dissemos borracheira. Volta para casa dos papás (rico ou pobre) feliz por mais uma aventura e na pior das hipóteses com umas bastonadas no lombo ou uma noite na esquadra. De quando em vez acontece o pior – morre alguém – um polícia, um arruaceiro…, e agrava-se a situação quando o infeliz é um inocente que ia a passar no local errado na hora errada!
Até há bem pouco tempo esta era a única violência de manada que nós conhecíamos, os distúrbios ligados ao fenómeno desportivo e esporadicamente algumas manifestações de carácter político e reivindicativo.
As coisas mudaram e estão a piorar… E como diria o mencionado “jornalista” luso: o ambiente é de guerra…! Ou poderia dizê-lo de outra forma se o palco do conflito não fosse a Arábia Saudita e a primeira Guerra do Golfo e ele estivesse em Paris (amanhã numa cidade perto de si): isto parece Africa, o ambiente é de Africa, mas ainda não é Africa!Então porque é que as coisas ainda não atingiram as formas e proporções dramáticas como acontece no continente africano? Será porque, por enquanto, ainda somos mais ou eles como numa espécie de intuição primitiva não querem matar a galinha dos ovos d’ouro?
E quando o ponto de não retorno nos levar ao ponto de ruptura será que estamos preparados para a guerra?
A grande e a pequena guerra santa
Etiquetas: Citações , Doutrina
O Bhagavad-gitâ(…) À formulação islâmica da doutrina heróica corresponde a exposta na já citada Bhagavad-gitâ, em que se encontram os mesmos significados num estado mais puro. E não deixa de ter interesse salientar que a doutrina da libertação através da acção pura, exposta neste texto, é declarada de origem «solar» e teria sido comunicada directamente pelo chefe de estirpe do presente ciclo não aos sacerdotes ou brâhmana, mas sim a dinastias de reis sagrados.
A piedade que impede o guerreiro Ariuna de descer ao campo de batalha contra os inimigos por reconhecer entre estes parentes e mestres seus, é qualificada no Bhagavad-gitâ de «cobardia indigna de um homem bem-nascido, ignominiosa, que afasta do céu». A promessa é a mesma: «Morto, ganharás o paraíso; vitorioso, possuirás a terra: por isso ergue-te resoluto para o combate». A orientação interior – a nyyah islâmica – capaz de transformar a «pequena guerra» numa «grande guerra santa», é declarada em termos bem claros: «Dedicando-me todas as obras – diz o deus Krshna – com o teu espírito fixado no estado supremo do Eu, livre de toda a ideia de possessão, livre da febre no espírito, combate.» É em termos igualmente claros que se fala da pureza desta acção, que tem de ser querida por si mesma: «Considerando como iguais o prazer e a dor, o lucro e a perda, a vitória e a derrota, prepara-te para a batalha: assim não terás qualquer culpa», ou seja: não te desviarás de maneira nenhuma da direcção sobrenatural ao realizares o teu dharma de guerreiro.
A relação entre a guerra e a «via de Deus» é a mesma que se encontra presente na Bhagavad-gitâ, com uma acentuação do aspecto metafísico: o guerreiro, de certo modo, reproduz a transcendência da divindade. O ensinamento que Krshna forneceu a Ariuna diz respeito acima de tudo à distinção entre o que como ser puro é imorredouro, e o que como elemento humano e naturalista tem somente uma aparência de existência: «Não há [possibilidade de] existência para o irreal ou [possibilidade de] não-existência para o real: os que sabem, apercebem-se da verdade respectiva de cada um destes dois termos… Tens de saber que é indestrutível o que ocupa tudo. Quem o considerar como matador e quem o considerar como o que é morto, são ambos ignorantes: ele não mata nem é morto. Não é morto quando o corpo é morto. Estes corpos do espírito eterno, indestrutível e ilimitado, são perecíveis: por isso ergue-te e combate!»
À consciência da irrealidade do que se pode perder ou fazer perder como vida caduca e corpo mortal – consciência a que corresponde a definição islâmica da existência terrena como jogo e divertimento – associa-se seguidamente o conhecimento do aspecto divino segundo o qual aquele é a força absoluta, perante a qual surge toda a existência condicionada como negação: uma força que portanto se desnuda, por assim dizer, e resplandece numa temível teofania precisamente na destruição, no acto que «nega a negação», no turbilhão que arrasta consigo toda a vida finita para a aniquilar – ou para a fazer ressurgir lá no alto, trans-humanizada.
Assim, para libertar Ariuna da dúvida e do «mole vínculo da alma», o Deus não só declara: «Nos fortes eu sou a força isenta de desejo e de paixão – sou o clarão do fogo, sou a vida em todas as criaturas, e a austeridade nos ascetas. Sou o intelecto dos sábios e a glória dos vitoriosos» – como também por fim, abandonando todo o aspecto pessoal, se manifesta na «terrível e maravilhosa forma que faz tremer os três mundos», «alta como os céus, irradiante, multicor, com uma boca escancarada e grandes olhos flamejantes». Os seres finitos – como lâmpadas debaixo de uma luz demasiado intensa, como circuitos percorridos por um potencial demasiado elevado – cedem, desfazem-se, morrem, porque dentro deles arde uma potência que transcende a sua forma, que pretende algo infinitamente mais vasto que tudo o que eles como indivíduos podem pretender. Por isso os seres finitos «tornam-se», transmutando-se e passando do manifesto ao não manifesto, do corpóreo ao incorpóreo. É nesta base que se define a força destinada a produzir a realização heróica. Os valores invertem-se: a morte torna-se testemunho de vida, o poder destruidor do tempo revela a indomável natureza encerrada no que está submetido ao tempo e à morte. Daí o sentido das seguintes palavras de Ariuna no momento em que tem a visão da divindade como pura transcendência: «Tal como as borboletas se precipitam com uma velocidade crescente na chama ardente para encontrarem a sua destruição, assim os vivos se precipitam em velocidade crescente nas Tuas bocas para encontrarem aí a sua destruição. Tal como os inúmeros cursos de água só correm directamente para o mar, igualmente estes heróis do mundo mortal entram nas Tuas bocas ardentes,» E Krshna. «Eu sou o templo plenamente manifestado, destruidor dos mundos, ocupado a dissolver os mundos. Mesmo sem a tua intervenção, estes guerreiros alinhados uns em frente dos outros em fileiras opostas cessarão todos de viver. Ergue-te pois, e conquista a glória: vence os inimigos e goza de um reino próspero. Todos estes guerreiros, na realidade foram mortos por mim. Tu, sê o instrumento. Combate pois sem temor, e os teus inimigos hás-de vencer na batalha.»
Por esta via, representa-se a identificação da guerra com a «via de Deus». O guerreiro evoca em si a força transcendente de destruição, assume-a, transfigura-se nela e liberta-se, rompendo o vínculo humano, A vida – é como um arco; a alma – como um dardo; o alvo a trespassar – o Espírito Supremo: juntar-se a ele, como a seta atirada se fixa no alvo – diz-se noutro texto da mesma tradição: É esta a justificação metafísica da guerra, o assumir da «pequena guerra» em «grande guerra santa». Isto permite também compreender o sentido da tradição relativa à transformação durante a batalha, de um guerreiro ou de um rei num deus. Ramsés Merianum no campo de batalha transformou-se, de acordo com a tradição, no Deus Amon, dizendo: «Eu sou como Baal na sua hora» – e os inimigos, reconhecendo-o naquela amálgama gritavam: «Não é um homem, é Sathku, o Grande Guerreiro, é a encarnação de Baal!» Baal corresponde aqui a Çiva e ao Indra védico, assim como ao paleogermânico e solar Tiuz-Tyr, que tem por sinal a espada, mas que também está relacionado com a runa e ideograma da ressurreição («homem com os braços levantados») e com o já referido Odin-Wotan, deus das batalhas e da vitória. Por outro lado, não se deve descurar o facto de quer Indra quer Wotan serem igualmente concebidos como deuses da ordem (Indra é chamado «moderador das correntes» e como deus do dia e do céu luminoso tem também características olímpicas), que regem o curso do mundo. Assim voltamos a encontrar o tema geral de uma guerra que se justifica como um reflexo da guerra transcendente da «forma» contra o caos e as forças da natureza inferior que a este se encontram associadas. (…)
- Julius Evola, Revolta contra o Mundo Moderno, Pub. Dom Quixote, 1989, pp. 172 - 175
RSS Feed








