Tigre Branco
Vindo de Espanha, chegou-nos por mão amiga este texto (recomendação) que traduzimos e agora publicamos, ficando desde já a aguardar a chegada deste livro ao nosso país, o que se prevê para Março próximo.Por Fernando Sánchez Drago
Há muito tempo que não recomendo um livro. Hoje recomendarei um que me foi recomendado por Javier Moro. Por certo que recomendo também o seu último (El sari rojo, Seix Barral) e todos os anteriores. Javier tem a virtude – penso eu – de adiantar-se sempre: escreve os livros que eu gostaria de escrever. Isso dá-me alguma raiva, mas não me impede de ser-lhe devoto, render-lhe admiração e professar-lhe amizade.
O livro ao qual me vou referir-me é uma novela, trata da Índia de hoje, foi escrita por Aravind Adiga e chama-se Tigre Branco. Ganhou o Main Booker Prize de 2008. A edição espanhola, traduzida com pulso firme por Santiago del Rey, é da Miscelânea. O seu autor nasceu em 1974, vive em Bombaim e foi responsável da revista Time e do Financial Times.
Costumo eu dizer que ninguém escreve boas novelas antes dos quarenta anos. Tigre Branco demonstra que estava equivocado. Trata-se, além disso, do seu primeiro livro. Pertence a um género inventado em Espanha: la picaresca. Mas uma picaresca rica em cargas de profundidade. Os rugidos e a garra deste tigre albino ajudam a entender porque é que a Índia dos nossos dias, com seus méritos e os seus defeitos, é o que é e porque era inevitável que assim fosse.
Um pequeno excerto? Seja. Transcrevo literalmente, de seguida, não sem antes avisar aos leitores que o que nesse texto se diz a propósito das castas, tão desapreciadas e mal entendidas no Ocidente, poderá ferir a sensibilidade dos judeo-cristãos politicamente correctos.
Eis: este país nos seus dias de grandeza, quando era a nação mais rica da Terra, era como um zoo. Um zoo limpo, ordenado e bem conservado. Cada um feliz e no seu sítio. Os ourives, aqui; os vaqueiros, ali; os senhores, acolá. O que se chama Halwai fabricava doces; o vaqueiro cuidava das vacas, e o intocável limpava as fezes. Os senhores eram amáveis com os seus servos. As mulheres cobriam a cabeça com um véu e baixavam os olhos quando falavam com um estranho. E então, graças a todos estes políticos de Deli, no dia 15 de Agosto de 1947, ou seja, no dia em que os britânicos se foram, todas as jaulas ficaram abertas. Os animais começaram a atacar-se e a destroçar-se uns aos outros e a lei da selva substituiu a lei do zoo. Os mais ferozes, os mais famintos, comeram os restantes e começaram a encher a barriga. Isto era a única coisa que contava agora: o tamanho da barriga. Não importava se eras mulher, muçulmano ou intocável: qualquer um com uma boa pança podia progredir. O pai de meu pai era um Halwai autêntico, um fabricante de doces. Mas quando ele herdou a sua loja, um membro de outra casta roubou-a com ajuda da polícia. O meu pai não tinha uma barriga para defender-se. Por isso foi desalojado até ao fundo do lodo, até ao nível de um condutor de rickshaw. Por isso me arrebataram meu destino de gordinho sorridente de pele cremosa. Em resumo: nos velhos tempos havia na Índia um milhar de castas e de destinos. Hoje em dia só há duas castas: a dos homens com grandes barrigas e a dos homens sem barriga. E só dois destinos: comer ou ser comido.
Quem nasceu ou viveu na Índia (ou pelo menos a percorreu a fundo, como Javier Moro e eu) sabe que Aravind Adiga, doa a quem doer, tem razão.
Livro: Diálogos de Doutrina Anti-Democrática
A «Edições Réquila» acaba de reeditar a obra «Diálogos de Doutrina Anti-Democrática», de António José de Brito. Publicado pela primeira vez em 1975, no auge do PREC, esta 2ª edição conta, para além do texto original, com uma «nota à 2ª edição» da autoria do autor. Um livro a não perder!Onde estiver um legionário, uma chama da Tradição estará acesa
Muitas pessoas que não executam na sua vida profissional suficiente exercício físico procuram, e muito bem, compensar isso com a prática de algum desporto. Já falamos das disciplinas que um legionário deve adoptar, se não diariamente sempre que possível, e o possível é sempre que a nossa Vontade prevalece, superando a malha modernista.
Tinham-nos já dado conta duma modernice publicitada por um hollywoodesco actor e se bem nos recordamos a primeira vez que vimos de perto tal “invenção” foi na mala do carro de alguém que connosco privava e precisamente numa das frequentes saídas que fazemos para o “campo” para nos libertarmos um pouco do mundo moderno! A loja que vende o café para dita máquina tem uma qualquer exclusividade que faz com que os modernos cidadãos que possuem tal objecto se vejam obrigados a esperar horas na respectiva loja para obter “tal rara preciosidade”! Nós também não queríamos acreditar até que verificamos in loco! Provavelmente o pacote vem autografado (?!) e assim se explica tal fenómeno.
Conhecemos gente com vocação para a leitura e/ou para a escrita, lêem compulsivamente e vivem a Causa desta forma. Fechados no seu mundo identificam-se com os seus heróis, muitas das vezes copiando-lhes com mais facilidade os defeitos do que as virtudes, e têm contacto com o exterior através do teclado do computador. Condenam a televisão e criticam os teledependentes. Têm uma equipa imaginária pela qual torcem e funcionam como treinadores de bancada dessa mesma equipa. Esta, embora ilusória, não marca golos porque os objectivos são difusos e os jogadores não se identificam uns com os outros nem com o treinador! É uma verdadeira novela que ao não passar na TV mantém agrilhoados os seus protagonistas numa espécie de mundo paralelo irrealizável.
Estes dois exemplos que acabamos de transmitir não são casos extremos destas duas realidades pois à volta destes gravita um pouco de tudo, para o melhor e para o pior. Perder o contacto com a triste realidade ou viver nos amanhãs que cantam não nos leva a lado nenhum. Viver aqui e agora, com o correcto distanciamento de um mundo que embora não seja o nosso somos obrigados a frequentar parece-nos a solução acertada.
O Sol retornará invicto e vitorioso também para nós
Por Ernesto MilàOs nossos primeiros antepassados observaram que a partir do Solstício de Verão o Sol parecia afastar-se da elíptica, até que na noite de 22 de Dezembro atingia o seu ponto mais baixo; parecia cansado e sem forças para voltar a elevar-se. No entanto, depois de três noites, ao concluir-se a noite de 25 de Dezembro, o Sol ressuscitava e retomava o seu trajecto triunfante que o levaria, de novo, até ao seu ponto mais alto no Solstício de Verão.
Na noite de 25 de Dezembro, Sirius, a estrela mais brilhante do firmamento, conhecida como “a estrela do Oriente”, alinha-se com as três estrelas que compõem a Faixa de Orion, também conhecidas como “os três reis magos”, que parecem segui-la. Este alinhamento marca o lugar preciso do horizonte por onde nascerá o Sol Invicto no próximo amanhecer.
Não é por acaso que o Evangelho fala de uma estrela que “assinala o caminho dos magos” como o local por onde nascerá o Sol. Não é também por acaso que Belém significa “a casa do pão”, pois não em vão tudo isto tem lugar quando o Sol nasce na constelação de Virgem, cujo símbolo tradicional é uma mulher que carrega um molhe de trigo. É preciso recordar que o símbolo astrológico de Virgem é um M modificado tal como a inicial de Maria, mãe de Jesus, chamado também “Sol do mundo”?
Quando o Sol começa a elevar-se a 25 de Dezembro, fá-lo sob a constelação da Cruz do Sul; por isso os antigos diziam que depois de estar três dias morto na Cruz, o Sol Invicto ressuscitava e se elevava novamente em direcção ao céu. Um Deus morto na Cruz e ressuscitado ao terceiro dia… a história soa bem, mas explicando as trajectórias dos astros do firmamento entende-se muito melhor. Seja como for, reflecte o Deus mais antigo conhecido pelos seres humanos: o Sol Invicto.
Analogamente, podemos dizer que nunca como agora, tanto a nossa pátria, como também os nossos povos de origem indo-europeia, jamais viveram uma crise tão grave como a actual. Mas também para nós, como para o eterno Sol Invicto, existe um futuro e um amanhã que nos pertence, tal como diz a antiga saga:
«Brevemente se ouvirá um sussurro ordenando: despertem!
Pátria, pátria, mostra-nos o sinal
Que os nossos filhos esperam ver.
Chegará o amanhã quando o mundo for novo
O amanhã pertence-nos»
O percurso do Sol Invicto e o seu ensinamento são o sinal que esperamos que os nossos compatriotas vejam.
A história dos nossos povos indica que sempre foram capazes de sobrepor-se, como o Sol, a todas as crises e a situações em que tudo parecia perdido. A raça de Aquiles e do Cid, a raça de Artur e dos cavaleiros cruzados, a raça dos hoplitas de Esparta e dos heróis de Lepanto, não se extinguirá aqui e agora, apenas porque uma cambada de abutres carniceiros entrincheirados nos seus bancos e de políticos corruptos fazem frente comum.
Desde os alvores da História, a nossa raça não conheceu outro destino que o combate. Esse mesmo combate é a prova a superar, o desafio sempre presente que todas as gerações tiveram que suportar para mostrar a sua valia.
Hoje, quando a pátria se vê ensombrada por nuvens ameaçadoras, quando já nem sequer parece existir o punhado de soldados dispostos a salvar a civilização de que falava Spengler, hoje precisamente, na noite do Solstício de Inverno, na noite do renascimento do Sol Invicto, temos a firme convicção de que o espírito da Europa jamais se extinguirá enquanto a vontade de permanecer continue a existir em alguns de nós.
Somos muitos os que na Europa esperamos ouvir o sussurro que nos chame de novo ao combate.
Porque ainda que o Sol renascesse no horizonte milhões de anos, não serviria de nada se esse mesmo Sol Invicto não estivesse também presente no nosso coração pois, não em vão, o centro do sistema solar é também o centro do nosso ser.
Assim pois, neste noite obscura do Solstício, desejo-vos uma boa luta e que o Sol Invicto nasça nos vossos corações e vos alumie!
Adriano Romualdi - Presente!
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Que a Força não falte a quem busca a Verdade!
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Attorney Sylvia Stolz
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Wolfgang Fröhlich
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«...Esta classe era naturalmente recrutada, durante um longo período de guerra, a partir dos mais viris e aventureiros e, permanentemente, o processo de eliminação prosseguia, sendo excluidos os tímidos e fracos, apenas sobrevivendo "uma estirpe rude, totalmente masculina, dotada de uma força bruta"... para constituir famílias e engrossar as fileiras dos samurais.» (Bushido - Inazo Nitobe)Etiquetas: Citações , Imagem/vídeo
(- Nietzsche)
Shibumi
- Tenho a impressão que me vai agradar, sir.- Shibumi, sir? - Nicholai conhecia a palavra, mas só aplicada a jardins ou a arquitectura, conotada com uma beleza subjacente. - Em que sentido está a utilizar o termo, sir?
- Oh, vagamente. E incorrectamente, desconfio. Uma tentativa desajeitada de descrever uma virtude inefável. Como sabes, o shibumi tem a ver com um grande requinte subjacente a aparências vulgares. É uma afirmação tão exacta que não é ousada, tão acuta que não precisa de ser bela, tão verdadeira que não tem de ser real. Shibumi é mais compreensão do que conhecimento. Um silêncio eloquente. Na conduta, trata-se de humildade sem modéstia. Na arte, onde o shibumi assume a forma de sabi quer dizer uma simplicidade elegante, uma concisão articulada. Na filosofia, onde o shibumi aparece como wabi significa uma tranquilidade espiritual que não é passiva; trata-se de existir, sem a ansiedade da vivência. E na personalidade de um indivíduo é… como se diz? Autoridade sem domínio? Algo do género.
A imaginação de Nicholai foi galvanizada pelo conceito de shibumi. Nenhum outro ideal conseguira afectá-lo assim. - Como se atinge esse shibumi, sir?
- Não se atinge… descobre-se. E apenas homens de um infinito requinte o possuem. Homens como o meu amigo Otake-san.
- Quer dizer, pois, que é necessário um longo caminho até ao shibumi?
- Digamos, antes, que se tem de passar pelo conhecimento e chegar à simplicidade.
A partir desse momento, o principal objectivo da vida de Nicholai resumir-se-ia a tornar-se um homem de shibumi: uma personalidade dotada de calma admirável. Tratava-se de uma vocação que se lhe abria, ao passo que a maioria das outras vocações se lhe fechava por razões de origem, educação e temperamento. Na peugada do shibumi, poderia atingir a perfeição na invisibilidade, sem despertar as atenções e a vingança das massas tirânicas.
Kishikawa-san retirou debaixo da mesa de chá uma caixinha de sândalo embrulhada num bocado de pano-cru e colocou-a nas mãos de Nicholai. - É um presente de despedida, Nikko. Uma insignificância.
Nicholai fez uma vénia de agradecimento e pegou no embrulho com grande ternura; não expressou a sua gratidão com palavras inúteis. Era o seu primeiro acto consciente de shibumi.
Embora tivessem conversado juntos até tarde, naquela última noite, sobre o que shibumi significava ou poderia significar, na essência mais profunda não estavam de acordo. Para o general shibumi era uma espécie de submissão; para Nicholai uma espécie de poder.
Ambos eram cativos das gerações a que pertenciam.
O problema da raça
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Em segundo lugar, o conceito de raça interior conduzia ao de raça como energia formativa. Poderíamos sobretudo explicar a aparição de um dado tipo comum suficientemente constante a partir de misturas étnicas por efeito de um poder formador interno, tendo a sua expressão mais directa numa dada civilização ou tradição. O próprio povo judeu oferecia o melhor exemplo disto: não tendo qualquer homogeneidade étnica (de raça física) na sua origem, uma tradição permitiu formar um tipo hereditário bem reconhecível, a tal ponto que os judeus fornecem um dos exemplos mais característicos de tenaz unidade racial da história. Um outro exemplo, mais recente, é a América setentrional: o tipo americano tomou forma com traços suficientemente precisos (especialmente como raça interior), graças à força formadora da alma de uma civilização, a qual agiu sob a mistura étnica mais inverosímil. Isto elimina a ideia que qualquer condicionamento unilateral a partir do inferior, quer dizer, pelo simples bios.»
Cavalgar o tigre
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Porque hoje, dia 3 de Outubro de 2008, é preciso recordar as palavras do Mestre e definitivamente aprendermos a Cavalgar o Tigre:Por uma questão de vergonha
Relembramo-nos deste tema a propósito de uma conversa que recentemente tivemos com um amigo nosso. Contava-nos ele que certos indivíduos por estarem na “nossa área” e portanto contra este modelo económico-social, não davam a importância devida ao dinheiro… eram, em última análise, dizia-nos, maus a fazer e a prestar contas.
Há uns meses recebemos um contacto de Inglaterra de um (mais um) indivíduo da “nossa área” que queria a t-shirt de Julius Evola. Depois de estudada a melhor forma de enviar a dita para Inglaterra e depois de se verificar que os ingleses (também nisto) não tinham a “convenção europeia de correios”, decidimos enviar a t-shirt sem ser à cobrança. Assim fizemos, carta registada com o conteúdo lá dentro, e informamos o inglês que quando recebesse a encomenda nos enviasse os euros da mesma forma. Até à data estamos à espera do dinheiro. É claro que esta questão foi debatida entre nós antes do envio mas chegamos à conclusão que valia a pena arriscar e desta forma sabermos se era realmente um dos nossos ou não. Neste caso perdemos uns trocos mas ganhamos uma certeza – este indivíduo não é dos nossos.
Também conhecemos outros que com emprego e profissão estável dão mais importância às gorjetas que muitas vezes ilicitamente recebem do que ao vencimento a que têm direito pelo seu trabalho. E isto, embora não pareça, é grave, mostra falta de carácter, uma atitude de servilismo própria de gente inferior.
Não queremos dar demasiada importância ao assunto, mas preocupa-nos que gente que se diz da nossa, se “esqueça” de pagar as dívidas, de devolver os livros que lhes emprestam, etc. O que não nos pertence devolve-se, se não nos pesa nas mãos deve, se formos homens, pesar-nos na consciência.
O ser contra o sistema burguês capitalista não pode jamais servir de desculpa para não se cumprir com as obrigações e a palavra dada, sobretudo para com os seus camaradas.
Quando falamos com pessoas mais velhas, e tendo em conta os dias que correm, costuma vir ao de cima a frase batida: “eu ainda sou do tempo em que a palavra e um aperto de mão selavam os contratos, e ai de quem falhasse!”
Pois bem, a célebre Palavra de Honra que conhecemos como selo contratual máximo e apanágio de outras épocas já passou de moda, e é bom que tenhamos presente que não foi uma invenção burguesa para selar contratos comerciais. Na passagem do domínio da casta guerreira para a mercantil, os burgueses, senhores do Terceiro Estado, copiaram, e ainda bem, pormenores que não faziam propriamente parte dos seus “genes” e ganharam com esta atitude respeitabilidade fazendo com que outros os admirassem (também) como Senhores, homens de palavra – Homens de Honra.
Com o advento do Quinto Estado, o do pária, a confusão aumentou, já não sabemos mais onde estão os homens e muito menos os Homens de Honra. Relembrando um outro caso em que alguém ligado ao sistema judiciário nos dizia: a nova moda dos “ricos” para não cumprirem com as suas obrigações financeiras é apresentarem insolvência em Tribunal, eles já não têm vergonha, pelo contrário começa a ser sinal de um novo tipo: o “chic… esperto”!
A mesma fonte informava-nos conhecer uma empregada de limpeza que, encontrando-se financeiramente com a corda ao pescoço e mesmo depois de lhe explicada a situação do processo de insolvência… se recusava a “abrir falência”, pois tinha vergonha. Pôs a sua casa à venda e o marido emigrara para conseguir fazer face às dívidas.
Felizmente ainda há gente com vergonha. Pois só homens de honra conhecem esse sentimento. Não fosse o sentimento de vergonha (o nome manchado), um dos pilares da educação do jovem samurai – Bushido.
Acerca da Fidelidade
Julius EvolaPode não se achar particularmente interessante voltar a evocar alguns ideais éticos que tiveram uma particular força e prestígio nas civilizações anteriores das nossas raças e que foram um factor da sua grandeza, embora, por outro lado, se encontrem praticamente desvanecidos no esterco do mundo actual. Um de tais casos é o relativo à fides.
Em latim o sentido do termo não é a “fé”, mas sim sobretudo a fidelidade: a um compromisso, a um juramento, a um pacto, à palavra dada, a um vínculo livremente aceite. Para além do mundo meramente humano, a fides transforma-se em “fé”, estende-se às relações com potências superiores, e então ela funda a religio, termo que na sua origem significava “vinculação”: vinculação entre o indivíduo e o divino. O pressuposto existencial da fides no primeiro sentido e, simultaneamente, aquilo do qual a mesma é sua manifestação, é a virtus, não na sua acepção moralista ou inclusive sexual, mas no sentido de uma firmeza interior, de uma rectidão.
Portanto é à romanidade antiga que nos podemos referir em primeiro lugar em relação ao ideal em questão. Assim se deu à fides a figura de uma deusa, em Roma a mesma foi objecto de um culto entre os mais antigos e sabedores. Fides romana, se dizia em tempos pré-históricos; alma fides, fides, sancta, casta, incorrupta, se dirá mais tarde. A mesma é uma característica dos romanos, afirma Lívio; ela define o romano ante o “bárbaro”, na antítese de uma norma de uma adesão incondicional a um pacto jurado e à conduta de quem ao contrário segue as contingências e a oportunidade, sob o signo daquela entidade que era denominada “Fortuna”. Máxima era a adesão àquela norma entre os antigos, refere-nos Sérvio, maxima erat apud majores cura fidel. Com sua decadência, adverte profeticamente Cícero, também a virtus decai, assim como o costume, a interior dignidade e a força dos povos.
É assim que a fides em Roma pôde ter um templo simbólico, aedes Fidei populi romani, no centro da cidade, no Capitólio, perto do templo do máximo Deus, de Júpiter. Esta contiguidade possui um significado particular. Da mesma maneira que Zeus entre os Gregos, Mitra entre os Iranianos, Indra entre os Hindus, Júpiter, representação romana de um não diferente princípio metafísico, era em Roma o deus do juramento e da lealdade. Qual deus do céu luminoso, Lucetius, ele era também o dos pactos jurados, do compromisso claro e privado de reticências. Dizia-se: Jovis fiducia; com o qual a fides recebia um crisma religioso e uma sanção sobrenatural.
E este valor incluiu-se também na realidade política. Assim, o próprio Senado pôde aparecer como um “templo vivente da fidelidade” – fides templum vivum – e às vezes o mesmo se reunia ao redor do altar capitolino da deusa. Por outro lado, o emblema mais corrente para a fides foi o estandarte da águia das legiões, e a fidelidade assumiu a forma essencial de fidelidade guerreira ante o chefe e o soberano: fides equitum, fides militum. A mencionada interferência com a esfera sagrada encontra uma nova confirmação no facto de que em Roma existiu uma enigmática relação entre os conceitos de fidelidade, de vitória e de vida imortal. À Victoria, concebida e personificada como uma entidade mística, o Senado romano prestava com efeito o seu juramento de fidelidade com um rito tradicional que foi o último a resistir ante o advento dos novos cultos cristãos: fides Victoriae. A síntese mais sugestiva foi, a tal respeito, uma representação da época imperial na qual a Fides personificada e divinizada leva entre outras coisas a imagem da Victoria e um globo sobrevoado por uma Fénix, ou seja pelo símbolo animal das ressurreições, enquanto no alto se vê um imperador no acto de sacrificar a Júpiter, enquanto é coroado por Victoria.
Assim com o Sacro Império Romano, na Idade Media, voltou a ideia romana, ao mesmo tempo houve um retorno da ética da fidelidade, que, como uma comum herança indo-europeia, era própria de modo eminente das estirpes germânicas. Deste modo trust, Treux, fides, ou como se pudesse haver denominado um mesmo princípio, teve um papel essencialíssimo no mundo medieval, em especial no feudal, do qual se constituiu na premissa fundamental. Pode-se falar de um sacramentum fidelitatis e uma máxima do Código Saxão, do Sachenspiegel foi: “Nossa honra chama-se fidelidade”; também na epopeia dos Nibelungos, no Niebelungenlied, se encontra o dito de que “a fidelidade é mais forte que o fogo”.
A tradição perpetuou-se para além da Idade Média sobretudo na área germânica, de tal modo que a Alemanha procurou quase, como um monopólio unilateral, convertê-la numa característica nacional ou de raça, alcunhando a fórmula Deutsche Treue, ou seja: “fidelidade germânica”. No entanto não há dúvida de que o conceito de fidelidade teve um particular relevo no prussianismo, em especial no exército, no corpo de oficiais e na nobreza, e sabe-se que a impossibilidade que se sentiu de violar a fidelidade ao juramento prestado foi aquilo que bloqueou acções intentadas contra Hitler, apesar de tudo aquilo que poderia ter justificado, desde um certo ponto de vista, tal infracção. Por outro lado, um dos aspectos positivos do nacional-socialismo foi a sua tentativa de pôr justamente a fidelidade, associada à honra, como fundamento de uma reconstrução orgânica e anti-marxista da economia. Na correspondente legislação, contra o “classismo” da luta de classes e do sindicalismo, postulava-se a solidariedade ética. O empresário tinha que corresponder à figura de um chefe (Führer), com uma correspondente autoridade e correspondentes responsabilidades, os mestres de ofício tinham que corresponder à figura de “séquito” próprio (Gefolgshaft) associado a ele e fiel na actividade produtiva. Um denominado “tribunal de honra” era chamado a dirimir os eventuais conflitos.
Lamentavelmente na moderna área latina os mencionados princípios não tiveram a mesma força, e isso em grande medida também pelo predomínio da tendência individualista. No plano político-militar recorda-se o caso, na última guerra, do comportamento do Soberano italiano, que enquanto dava ao embaixador alemão a garantia formal de que Itália continuaria a combater ao lado do aliado, estabelecia acordos com o inimigo; junte-se a isso a sua atitude em relação a Mussolini. As distintas circunstâncias contingentes que podiam ter justificado uma tal conduta de um ponto de vista pragmático, não reflectem de modo algum a ética da qual a Roma antiga, tal como se viu, tanto se orgulhava. Talvez em Itália a última manifestação de tal orientação deu-se no final da II Guerra Mundial, quando um número significativo de italianos não hesitou em bater-se, ainda que em posições perdidas, justamente em nome do princípio de fidelidade e de honra.
Hoje em dia tudo isto aparece como anacrónico ou vale simplesmente como mera retórica, tão grande é a prevalência de um tipo de homem fugaz e sem carácter, sempre pronto a trocar de lado conforme ventos mais favoráveis e sempre mobilizado por baixos interesses. A democracia é o terreno mais propício para a “cultura” de um semelhante tipo. Na realidade existe uma relação estreita entre fides e personalidade. A fidelidade é algo que não se pode nem vender nem comprar. À lei obedecemos, às necessidades verga-mo-nos, à conveniência ponderá-mo-la, mas a fides, a fidelidade, apenas o acto livre de uma interior nobreza pode estabelecê-la. Fides significa pois personalidade.
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