Seremos soldados...

Percorreremos as montanhas com as nossas bandeiras e estandartes, no alto encontraremos a serena e suprema justificação para descermos sobre as hostes inimigas. Faremos da montanha o nosso santuário, aí levantaremos os nossos braços em direcção ao Sol Invicto e retomaremos a marcha com novas energias.

As cidades foram-nos tomadas, primeiro pelos mercadores, depois pela populaça que numa sequência terrivelmente lógica a entregou aos párias. A amálgama nauseabunda sufoca-nos, mais, quando pensamos nas futuras gerações, nos nossos filhos, e em como isso os vai afectar, como já nos afecta a nós que rejeitamos a “felicidade” que o Mundo Moderno nos quer vender.

Não queremos, nem poderíamos, ser felizes num mundo em que os párias se tornaram senhores. Somos obrigados a viver assim, com eles, talvez até lhes passemos a imagem de que desistimos, mas isso é também estratégia, porque na verdade não capitulamos e aí estamos… de Pé!

É na montanha que a nossa verticalidade se reflecte e é esse o espelho que nos dá força. É a ascensão que nos eleva ao sagrado e é lá no alto que nos revemos uns nos outros como Irmãos de Armas, e é aí que, a cada nova Primavera, renovamos o nosso juramento para com a Ordem.

Mas isto é também uma questão de equilíbrio, ascendermos em busca do nosso centro, da nossa Força Primordial.

As batalhas, a guerra, essa, sabemos bem onde vai ter lugar: nas urbes cinzentas, anárquicas, grafitadas, super-amontoadas, onde os párias das várias classes económicas habitam como peixes em água. É este o palco do conflito, o combate urbano, pelo nosso lar, pela nossa família, pelo nosso bairro, pela nossa cidade… pelo Ideal.

Seremos soldados, viveremos como soldados, e conquistaremos assim a Liberdade perdida.

A Acha (excerto)

Já tivemos a ocasião de revelar, que no mundo das origens, lá onde digamos, os ditos testemunhos “positivos”, ou perante essa ambiguidade, o símbolo e o mito podem muitas vezes oferecer um fio condutor precioso para uma exploração mais profunda do que superficial. Foi admitido, e não é de hoje, pelo racismo alemão, sobretudo quando eles se propuseram de completar as pesquisas antropológicas e biológicas através de uma espiritualidade e uma “visão de mundo” que lhes permitisse afirmar novamente os princípios dentro do domínio da história das religiões, da mitologia comparada, das tradições primordiais e das sagas. Em Itália, este assunto tem restado até agora, praticamente virgem. No entanto, e dentro do dito antigo mundo da península italiana, que desde a mais longínqua pré-história, foi submetido à influência de civilizações e povos muitos diversos, e que oferecem muito raramente um paralelismo rigoroso entre a pureza étnica e aquela das tradições correspondentes, uma pesquisa assimilando o símbolo e o mito num documento, poderá ter resultados de uma importante singularidade.
Naturalmente para isso é necessário uma qualificação adequada e um olho particularmente treinado. Assim como a língua, um símbolo e um mito duma raça, podem passar a uma outra raça, duma civilização a outra, modificando-se de certa maneira, de função, servindo de suporte a outras significações daqueles que tinham normalmente na sua origem. É preciso portanto saber orientar-se e integrar tudo que este tipo de pesquisa pode trazer de conhecimentos sólidos de ordem tradicional.
Isto será nosso ponto de partida para certas considerações que queremos fazer aqui a propósito de alguns símbolos dos quais a presença no antigo mundo itálico, depois romano, testemunharam à sua maneira, a existência duma tradição original e do tipo nomeadamente nórdico ariano, ou como preferimos dizer “hiperboreo”. Nós preferimos dizer hiperboreo, para prevenir toda a falsa interpretação ou toda a deformação justificada. E por falar em “ariano-nordico”, podemos crer que aderimos à tese pangermanista e por isso reconhecemos que aquilo que temos de mais valioso no nosso povo e na nossa tradição deriva de raças puramente nórdicas e nórdico-germânicas. Utilizando como nós o fazemos, “hiperboreo” tem uma outra extensão. E refere-se a uma fonte absolutamente primordial, base do grupo global dos povos e das civilizações arianas, das quais as raças nórdico-germanicas não são mais que uma ramificação particular. As forças originais e criadoras das civilizações da Índia antiga, do Irão e da primeira Hélade e de Roma, podem reivindicar uma origem idêntica e pelo menos uma igual dignidade.
Este ponto estabelecido, os principais símbolos do antigo emaranhado que nós decidimos de examinar e compreender a sua significação mais profunda e mais pura são: a acha, o lobo, o cisne, a águia a cruz radial. Para este exame é necessário empregar o método comparativo, aplicado ao conjunto do ciclo das civilizações e dos mitos arianos: aquilo que nos oferece uma destas tradições arianas e aquilo que encontramos em outra é então integrado, confirmado e posteriormente esclarecido.
No presente artigo vamos nos limitar à Acha. A Acha é um dos símbolos mais característicos da tradição hiperborea primordial. Seus traços levam-nos à mais longínqua pré-história segundo alguns, segundo outros à última época glaciar, e pelo menos a um período paleolítico. Numa obra recente, Paulsen, escreveu cartas ilustrando a larga difusão da Acha hiperborea, situada em diversos locais pré-históricos da Europa. O tipo mais antigo é aquela da “acha sideral” em quartz ou ferro meteórico, quer dizer uma substância caída “do céu”. É sem dúvida certo que o uso destas achas siderais eram sagradas e ritualizadas. Considerando-se a substância da qual eram feitas, estas Achas siderais levam-nos finalmente a um simbolismo mais abrangente das “pedras divinas”, das “pedras caídas do céu”, que tiveram uma grande importância na antiguidade onde se criava um centro tradicional: desde o Omphalos de Delphos à “pedra do destino” – lia-gail – das antigas tradições britânicas, da ancilia, confeccionada na Roma antiga, feita de pedras caídas do céu e com o significado de aval de soberania, pignum imperii, até ao Graal, que segundo a tradição foi trazido e conservado por Wolfram von Eschenbach é igualmente uma pedra caída do céu.
No caso da Acha, este simbolismo genérico acata uma significação especial numa relação estreita com uma tradição heróica e sagrada. As pedras dos meteoros simbolizavam também o “raio”, (daqui a expressão “pedra de raio”) a força celeste fulminante, significa que se estendia à Acha sideral pré-histórica: como o raio, ela quebra e corta. Assim é a base da significação que a Acha, arma e símbolo, teve nas tradições ariana e nórdico-arianas, hiperboreas primordiais desde a Roma antiga até à época dos Vikings.
Na concepção ariana de guerra – da qual já falamos muitas vezes – o elemento material é inseparável do elemento espiritual, transcendente. Em toda a luta ou conquista, o antigo Ariano via o reflexo da luta metafísica, do eterno conflito entre as forças olímpicas e celestes da luz contra as forças potentes e obscuras e selvagens da matéria e do caos. A Acha, como arma e símbolo, está estreitamente ligada aos seus significados. A Acha aparece como uma arma “celeste” empunhada seja pelo guerreiro ou pelo conquistador hiperboreo, ou seja pelo sacrificador ou o sacerdote. Remontando a uma longínqua antiguidade, nos desenhos rupestres, em Fossùm (Suécia) podemos ver numerosas figuras que empunham achas, entrecruzadas com símbolos solares. Ora é interessante de observar estas convergências. Os antigos símbolos nórdicos correspondem a reminiscências ainda mais antigas, dos quais seriam da civilização franco-cantábrico da Madalena ou de CroMagnon (aproximadamente 10.000 anos antes da nossa era), civilização dita do “Reno”, que na nossa opinião, estendeu-se até uma região ligure. De outra forma, nos vestígios arcaicos da civilização itálico-ligure encontramos a Acha, acompanhada de símbolos solares e hiperboreos, como o cisne e a cruz radial (suástica). Franz Altheim recentemente demonstrou a correspondência entre traços pré-históricos de Val Camonica e traços suecos. Encontramos também figuras rupestres nesta região italiana, onde figuram a acha simbólica e um símbolo solar e astral análogo. A este propósito, Altheim chegou mesmo a falar duma verdadeira “migração dorinne em Itália”, de tal maneira lhe pareceu evidente a semelhança da civilização que deixou seus traços no Norte da Itália. E que deveria conduzir, por vias enigmáticas, à criação de Roma, como aquela dos Dórias na Grécia e da qual a conclusão deveria ter sido a criação de Esparta.
Quanto à significação espiritual da “acha sideral”, nós a encontramos no culto nórdico-ariano do Thor. Thor era uma figura divina que tinha por atributo duas armas, que no fundo se equivalem: - uma é a Acha outra o martelo de duas cabeças, mjolnir. As duas armas são análogas pois o martelo representa ele mesmo a força do raio tal como a Acha; aliás, o martelo duplo, pela sua forma se confunde com a Acha de duas lâminas que saem do mesmo simbolismo e nos leva especificamente à tradição hiperborea. Thor combate com esta arma as “forças elementares”, os Elementarwesen, que tentam produzir as forças celestes (simbolicamente a “Lua” e o “sol”) e é também com ela, que no grupo dos “heróis divinos” ou Ases, ele luta contra o “obscurantismo do divino” o ragna-rokkr, mas que não deve ser confundido romanticamente com o crepúsculo dos deuses, como Wagner; mas sim considerá-lo como um eco mítico do fim trágico dum ciclo de civilização e de tradição original hiperborea, ou seja, dentro do mito.

[A conclusão deste texto será publicada no Boletim Evoliano]

- Julius Evola, "Symboles et "mythes" de la tradition occidentale"

Infiltrados no sistema

Não é nosso hábito copiar textos publicados noutros blogues mas, neste caso, e dada a pertinência do texto, reproduzimos o seguinte texto publicado no blogue Activismo Nacional:
* * *
Infiltrados no sistema
A revolução cultural precede necessariamente a revolução política. Esta é uma ideia muito importante a ter em conta quando falamos de "infiltrar o sistema". Na maior parte das vezes, é através da cultura que conseguimos movimentar-nos dentro de áreas que de outra forma nos seriam vedadas. Também é através dela que mais facilmente conseguiremos atrair pessoas válidas para o nosso movimento e despertar outras para a situação que vivemos e para a necessidade de agir. Um livro, um filme, uma atitude, uma ideia, fazem mais que extensas agendas políticas ou soluções milagrosas.
Infiltrar os media
Na sociedade actual, extremamente mediatizada, há que tirar partido dos meios de comunicação social, para fazer passar a nossa mensagem. Para além do trabalho no seio do movimento, mas com expressão externa, como são as publicações, páginas de Internet, blogs, os fóruns, devemos aproveitar as formas de entrar nos mass media ao nosso alcance. São simples, baratas e eficazes. Na imprensa escrita podemos participar em jornais que aceitem colaborações ou chegar aos mais conhecidos através de cartas ao director. Na Internet, podemos comentar notícias ou textos, ou fazer campanhas através de e-mailing. Na televisão e na rádio, devemos aproveitar programas que aceitem participações telefónicas em directo. São apenas alguns exemplos para começar. Lembrem-se disto: a maior parte das portas vão tentar fechar-se, mas há sempre umas que conseguimos abrir.
Infiltrar a política
O trabalho em partidos e associações nacionalistas é muito importante e não deve ser descurado. No entanto, no sistema viciado em que vivemos, devemos ter presente que estes não conquistarão o poder político a curto prazo. Assim, paralelamente, há várias formas de infiltrar o sistema. Na escola e na universidade, devemos fazer listas para concorrer às associações de estudantes, ou concorrer em listas independentes, fazendo passar algumas ideias. No plano local, devemos promover e integrar movimentos independentes que defendam interesses concretos da comunidade. No plano nacional, podemos aproveitar alturas em que é possível afastarmo-nos da lógica partidária, como referendos ou discussões sobre grandes temas.
Infiltrar a escola
Para além do trabalho nas associações de estudantes, que referimos atrás, devemos aproveitar os meios dos estabelecimentos de ensino para promover debates e encontros sobre temas e autores do nosso interesse. Tentar formar ou integrar grupos dentro da escola ligados a áreas específicas. Como por exemplo, grupo de artes, teatro, cinema, rádio, jornalismo, etc. Por fim, devemos também alertar professores para determinados assuntos ou matérias e estimular a discussão de ideias nas aulas.
Infiltrar a comunidade
Devemos participar na vida da comunidade, através dos meios proporcionados pelas câmaras municipais, juntas de freguesia e associações locais. Alertar vizinhos para determinados temas e questões do interesse directo da sua terra. São também muito importantes iniciativas de apoio social que podem ser desenvolvidas localmente em pequena escala, mas com grande sucesso e impacto.
Postura
Devemos afirmar-nos pela diferença e pelo exemplo, caso contrário nunca seremos levados a sério. Não podemos ter uma postura isolacionista, nem de "dono da razão". Isso apenas fará com que os outros se afastem. Através dos meios referidos conseguiremos introduzir pouco a pouco as nossas ideias em sectores-chave da sociedade, estimulando o debate e a reflexão sobre a tragédia que se abate sobre a Europa, motivando várias pessoas a agir.
Resultados
Não devemos ser guiados pelos grandes resultados a curto prazo. O nosso combate é demorado e por isso temos que ser pacientes. Não podemos dar valor aos megalómanos que anunciam a "marcha sobre Lisboa" para amanhã e a conquista da Europa para a semana. Objectivos sobredimensionados e totalmente fora do nosso alcance servem normalmente para desculpar a ausência de trabalho. Por mais pequenos que pareçam os resultados conseguidos, são uma vitória. Essas pequenas vitórias completarão o nosso percurso à medida que formos avançando. Como diz um antigo ditado japonês: Mais vale dar um passo, por mais pequeno que seja, do que ficar parado.
O caminho faz-se caminhando. E nós sabemos para onde vamos!

A ilusão da verdade

Distúrbios, pancadaria, feridos e um ou dois mortos. Esta poderia ser qualquer cena após um jogo de futebol, uma “manif.” anti-globalização, uma revolta “étnico-urbana-religiosa” dos subúrbios de Paris, Bruxelas… ou em qualquer outra urbe europeia. Carros incendiados, montras partidas, paus, pedras, coktail-molotov, gás lacrimogéneo, balas de borracha (outras não), pontapés, socos…!

Dizia-nos um “jornalista”, correspondente na Arábia Saudita, aquando da primeira Guerra do Golfo: o ambiente é de guerra, parece guerra, é quase guerra… mas ainda não é guerra!

Há quem tenha descrito estes acontecimentos como uma guerra de baixa intensidade, nós também já usamos esta terminologia, mas desconfiamos das palavras…

Observamos o continente africano e reparamos que cada conflito de “baixa intensidade” acarreta sempre uma porção indiscriminada de vítimas entre feridos, mortos e desalojados. Poderemos apontar muitas causas para este “fenómeno”, as diferenças de números de vítimas e o grau de violência a elas associado:

- questões étnicas (quase sempre, e se não começam por aí acabam como tal);
- questões religiosas (uma “modernidade” em crescendo);
- questões económicas (aqui falamos mesmo de sobrevivência);
- corrupção generalizada (sinceramente esta é a causa menos provável – é o modus vivendi africano, já estão habituados!);
- questões ditas políticas, defesa da democracia, direitos humanos e o blá, blá, habitué (umas balelas para certas potências estrangeiras terem ou meterem nos governos locais os seus caciques).

E talvez por fim poderíamos ser racistas e acrescentar que eles se matam uns aos outros duma forma tão selvagem e violenta porque são estúpidos que nem uns calhaus! Mas não o dizemos, porque embora bastante diferente o conflito, não esquecemos os Balcãs. Também lembramos que estamos atentos ao assalto do Kosovo por parte dos contrabandistas albaneses com o apoio de outros internacionais traficantes.

Voltando ao Ocidente “civilizado”, qualquer grupo que se junta numa claque de futebol e depois de beber uns copos e fumar umas drogas insulta, ameaça e acaba em violência física, fá-lo por “diversão”, espírito de manada e como dissemos borracheira. Volta para casa dos papás (rico ou pobre) feliz por mais uma aventura e na pior das hipóteses com umas bastonadas no lombo ou uma noite na esquadra. De quando em vez acontece o pior – morre alguém – um polícia, um arruaceiro…, e agrava-se a situação quando o infeliz é um inocente que ia a passar no local errado na hora errada!

Até há bem pouco tempo esta era a única violência de manada que nós conhecíamos, os distúrbios ligados ao fenómeno desportivo e esporadicamente algumas manifestações de carácter político e reivindicativo.

As coisas mudaram e estão a piorar… E como diria o mencionado “jornalista” luso: o ambiente é de guerra…! Ou poderia dizê-lo de outra forma se o palco do conflito não fosse a Arábia Saudita e a primeira Guerra do Golfo e ele estivesse em Paris (amanhã numa cidade perto de si): isto parece Africa, o ambiente é de Africa, mas ainda não é Africa!

Então porque é que as coisas ainda não atingiram as formas e proporções dramáticas como acontece no continente africano? Será porque, por enquanto, ainda somos mais ou eles como numa espécie de intuição primitiva não querem matar a galinha dos ovos d’ouro?

E quando o ponto de não retorno nos levar ao ponto de ruptura será que estamos preparados para a guerra?

A grande e a pequena guerra santa

O Bhagavad-gitâ

(…) À formulação islâmica da doutrina heróica corresponde a exposta na já citada Bhagavad-gitâ, em que se encontram os mesmos significados num estado mais puro. E não deixa de ter interesse salientar que a doutrina da libertação através da acção pura, exposta neste texto, é declarada de origem «solar» e teria sido comunicada directamente pelo chefe de estirpe do presente ciclo não aos sacerdotes ou brâhmana, mas sim a dinastias de reis sagrados.

A piedade que impede o guerreiro Ariuna de descer ao campo de batalha contra os inimigos por reconhecer entre estes parentes e mestres seus, é qualificada no Bhagavad-gitâ de «cobardia indigna de um homem bem-nascido, ignominiosa, que afasta do céu». A promessa é a mesma: «Morto, ganharás o paraíso; vitorioso, possuirás a terra: por isso ergue-te resoluto para o combate». A orientação interior – a nyyah islâmica – capaz de transformar a «pequena guerra» numa «grande guerra santa», é declarada em termos bem claros: «Dedicando-me todas as obras – diz o deus Krshna – com o teu espírito fixado no estado supremo do Eu, livre de toda a ideia de possessão, livre da febre no espírito, combate.» É em termos igualmente claros que se fala da pureza desta acção, que tem de ser querida por si mesma: «Considerando como iguais o prazer e a dor, o lucro e a perda, a vitória e a derrota, prepara-te para a batalha: assim não terás qualquer culpa», ou seja: não te desviarás de maneira nenhuma da direcção sobrenatural ao realizares o teu dharma de guerreiro.

A relação entre a guerra e a «via de Deus» é a mesma que se encontra presente na Bhagavad-gitâ, com uma acentuação do aspecto metafísico: o guerreiro, de certo modo, reproduz a transcendência da divindade. O ensinamento que Krshna forneceu a Ariuna diz respeito acima de tudo à distinção entre o que como ser puro é imorredouro, e o que como elemento humano e naturalista tem somente uma aparência de existência: «Não há [possibilidade de] existência para o irreal ou [possibilidade de] não-existência para o real: os que sabem, apercebem-se da verdade respectiva de cada um destes dois termos… Tens de saber que é indestrutível o que ocupa tudo. Quem o considerar como matador e quem o considerar como o que é morto, são ambos ignorantes: ele não mata nem é morto. Não é morto quando o corpo é morto. Estes corpos do espírito eterno, indestrutível e ilimitado, são perecíveis: por isso ergue-te e combate!»

À consciência da irrealidade do que se pode perder ou fazer perder como vida caduca e corpo mortal – consciência a que corresponde a definição islâmica da existência terrena como jogo e divertimento – associa-se seguidamente o conhecimento do aspecto divino segundo o qual aquele é a força absoluta, perante a qual surge toda a existência condicionada como negação: uma força que portanto se desnuda, por assim dizer, e resplandece numa temível teofania precisamente na destruição, no acto que «nega a negação», no turbilhão que arrasta consigo toda a vida finita para a aniquilar – ou para a fazer ressurgir lá no alto, trans-humanizada.

Assim, para libertar Ariuna da dúvida e do «mole vínculo da alma», o Deus não só declara: «Nos fortes eu sou a força isenta de desejo e de paixão – sou o clarão do fogo, sou a vida em todas as criaturas, e a austeridade nos ascetas. Sou o intelecto dos sábios e a glória dos vitoriosos» – como também por fim, abandonando todo o aspecto pessoal, se manifesta na «terrível e maravilhosa forma que faz tremer os três mundos», «alta como os céus, irradiante, multicor, com uma boca escancarada e grandes olhos flamejantes». Os seres finitos – como lâmpadas debaixo de uma luz demasiado intensa, como circuitos percorridos por um potencial demasiado elevado – cedem, desfazem-se, morrem, porque dentro deles arde uma potência que transcende a sua forma, que pretende algo infinitamente mais vasto que tudo o que eles como indivíduos podem pretender. Por isso os seres finitos «tornam-se», transmutando-se e passando do manifesto ao não manifesto, do corpóreo ao incorpóreo. É nesta base que se define a força destinada a produzir a realização heróica. Os valores invertem-se: a morte torna-se testemunho de vida, o poder destruidor do tempo revela a indomável natureza encerrada no que está submetido ao tempo e à morte. Daí o sentido das seguintes palavras de Ariuna no momento em que tem a visão da divindade como pura transcendência: «Tal como as borboletas se precipitam com uma velocidade crescente na chama ardente para encontrarem a sua destruição, assim os vivos se precipitam em velocidade crescente nas Tuas bocas para encontrarem aí a sua destruição. Tal como os inúmeros cursos de água só correm directamente para o mar, igualmente estes heróis do mundo mortal entram nas Tuas bocas ardentes,» E Krshna. «Eu sou o templo plenamente manifestado, destruidor dos mundos, ocupado a dissolver os mundos. Mesmo sem a tua intervenção, estes guerreiros alinhados uns em frente dos outros em fileiras opostas cessarão todos de viver. Ergue-te pois, e conquista a glória: vence os inimigos e goza de um reino próspero. Todos estes guerreiros, na realidade foram mortos por mim. Tu, sê o instrumento. Combate pois sem temor, e os teus inimigos hás-de vencer na batalha.»

Por esta via, representa-se a identificação da guerra com a «via de Deus». O guerreiro evoca em si a força transcendente de destruição, assume-a, transfigura-se nela e liberta-se, rompendo o vínculo humano, A vida – é como um arco; a alma – como um dardo; o alvo a trespassar – o Espírito Supremo: juntar-se a ele, como a seta atirada se fixa no alvo – diz-se noutro texto da mesma tradição: É esta a justificação metafísica da guerra, o assumir da «pequena guerra» em «grande guerra santa». Isto permite também compreender o sentido da tradição relativa à transformação durante a batalha, de um guerreiro ou de um rei num deus. Ramsés Merianum no campo de batalha transformou-se, de acordo com a tradição, no Deus Amon, dizendo: «Eu sou como Baal na sua hora» – e os inimigos, reconhecendo-o naquela amálgama gritavam: «Não é um homem, é Sathku, o Grande Guerreiro, é a encarnação de Baal!» Baal corresponde aqui a Çiva e ao Indra védico, assim como ao paleogermânico e solar Tiuz-Tyr, que tem por sinal a espada, mas que também está relacionado com a runa e ideograma da ressurreição («homem com os braços levantados») e com o já referido Odin-Wotan, deus das batalhas e da vitória. Por outro lado, não se deve descurar o facto de quer Indra quer Wotan serem igualmente concebidos como deuses da ordem (Indra é chamado «moderador das correntes» e como deus do dia e do céu luminoso tem também características olímpicas), que regem o curso do mundo. Assim voltamos a encontrar o tema geral de uma guerra que se justifica como um reflexo da guerra transcendente da «forma» contra o caos e as forças da natureza inferior que a este se encontram associadas. (…)

- Julius Evola, Revolta contra o Mundo Moderno, Pub. Dom Quixote, 1989, pp. 172 - 175

O Filósofo Estóico e o Guerreiro Samurai

Poderá parecer estranho à desatenção humana, ver semelhanças entre o filósofo estóico e o guerreiro samurai, mas a desatenção só a é se lhe mantivermos o prefixo ‘de’, assim, e sem tal prefixo, passaremos a ter atenção, qualidade do que é atento, desperto em cada instante da vida, o que significa, que deixaremos de nos espantar ou ficar intrigados com as semelhanças efectivamente reais, existentes entre o filósofo do pórtico, cujo percurso começa na Grécia em fins do séc. IV a.C., e que lentamente irá desaparecer por volta do séc. II, III d.C., e o guerreiro samurai, cujo aparecimento se dá ainda sob a forma “bruta” no séc. XII d.C. com o nome de Bushi, ou guerreiro, que sob a cabeça do Xógum, governa o Japão. Em princípios do século XVII, aparece já polido da sua forma anterior o samurai, que perdurará até ao ano de 1878, data do ressurgimento do poder imperial, e do início da época moderna no Japão; não nos podemos esquecer que essa época dita moderna, provocara a derrocada do mundo Tradicional e do que ele comporta e significa para o Homem verticalizado.

Os princípios ou fundamentos sob os quais agem quer o estóico quer o samurai são idênticos, senão iguais; prova disso é o caminho interior que cada um deve trilhar nesse conhecimento de si mesmo, que se encontra ao alcance, não só, do que teve coragem para se iniciar no caminho, como também, naquele que persevera no caminho sabendo de antemão que o Ideal pelo qual vive e morre se encontra num pedestal inatingível. Para retermos tais princípios, um pequeno quadro sinóptico ajuda-nos no estudo e na compreensão das filosofias de vida dos dois homens verticais em questão:


Se olharmos para os fundamentos onde se alicerça o melhor de cada um, ficamos estonteados com as semelhanças. Poder-se-ia pensar que o pórtico só produzira “figuras geladas”, no entanto, o filósofo estóico era combativo, não deixava que o desejo e o medo dele se apoderassem, manipulando-lhe a razão. Ele era senhor de si mesmo; em cada circunstância, agia sempre de acordo com a razão, quer dizer, com o bem moral.

Segundo ele, não é suficiente nomear o bem, fazendo por vezes o oposto. Há que o praticar, independentemente da situação e provação que a vida nos coloca. Por isso, o estóico era enciclopédico, modelo de vida, realizava em si a transformação do homem. O exame de consciência diário, ou seja, o meditar sobre os actos punham em evidência um espírito crítico, de auto-superação-realização. A disciplina intelectual, o controlo físico e o treino mental são utensílios que o filósofo usava nesse combate diário que o homem tem diante si: o de viver por si, com os outros e sob o desígnio divino o melhor que sabe e de acordo com o bem moral.

O guerreiro Samurai, à semelhança do filósofo estóico, tentava evitar as flutuações de ânimo, que o obrigaria a recompor-se, desviando-se assim da tarefa principal: servir o seu senhor com absoluta lealdade em qualquer circunstância e a todo o instante.

Tal como o estóico, o samurai “tardio”, em períodos de maior acalmia, era enciclopédico; a sua formação visava o homem total e consistia em: ler os textos clássicos, caligrafia, tiro com arco, equitação, artes marciais, esgrima, teatro Nô, cerimónia do chá… A este caminho, chamou-se de Bushido, que significa, o Caminho do Guerreiro.

O Bushido era um código de honra e de comportamento social, onde o samurai deveria observar alguns preceitos, tais como: Piedade filial (ensinava-se ao senhor, que procurasse homens fieis entre aqueles que eram filiais, pois só estes saberiam ter uma autêntica fidelidade), Fidelidade e Lealdade.

As obrigações do Samurai eram de duas espécies: Militares e de Construção, o que significava, que este estava sempre activo, quer prestando serviço ao seu senhor, quer auxiliando e protegendo a sua família. O Samurai deveria ter presente que a sua vida pertencia ao seu senhor, a sua lealdade para com ele deveria ser total, esta deveria estar alicerçada no dever, na coragem e na fé. Diz-se que só havia uma lealdade superior à do samurai – a lealdade do senhor para com este.

Para se entender este verdadeiro espírito de coragem e de abnegação do guerreiro samurai, devemos recordar que a sua formação, estava assente em parte no budismo, que no Japão alguns mestres “simplificaram” e lavaram ainda mais longe, passando a designar-se por Zen.

Como se pode ver, estes dois homens verticais, homens da Tradição, fiéis a princípios, mas de tempos e lugares diferentes, comungam do mesmo.

O seu labor diário, o seu conhecimento e a sua espiritualidade têm o mesmo fim: o de servir, o de estar disponível, o de viver a vida plenamente aqui e agora, como que num eterno presente. Estes são os verdadeiros guerreiros, que à guerra externa, preferem a interna, pois só esta é constante e os obriga a manter a vigilância como se o inimigo estivesse sempre presente.

Citando o poeta Teitoku (1570-1653):
“Amanhã vai ser assim, pensamos no dia anterior
Mas hoje damo-nos conta de que tudo mudou
É assim a marcha do Mundo”

«Roma nasce no momento em que se manifesta um pouco por toda a parte, nas antigas civilizações tradicionais, a crise de que já falámos. E se nos abstrairmos do Sacro Império Romano, que de resto corresponde, em grande medida, a uma recuperação da antiga ideia romana, Roma surge-nos como a última reacção contra estas crises, a tentativa – vitoriosa durante um ciclo inteiro – de escapar às forças da decadência já activas nas civilizações mediterrânicas e de organizar um conjunto de povos, realizando, sob uma forma mais sólida e mais grandiosa, o que o poder de Alexandre Magno não tinha conseguido senão durante um curto período.»
(Revolta Contra o Mundo Moderno, pág. 350)

José António e Codreanu: Mártires do Ideal

Segundo Maurice Bardeche, “os fascistas preferem os seus mártires aos seus ministros”. Será por isso que nos encontramos aqui hoje a recordar José António e Codreanu? Talvez também por isso, mas não só por isso…
José António Primo de Rivera e Corneliu Zelea Codreanu: o que têm em comum estas duas figuras trágicas do fascismo europeu de entre guerras? Mais, muito mais, do que poderia parecer à primeira vista. José António espanhol, Codreanu romeno, ambos latinos (de Ocidente e Oriente), ambos cristãos (um católico, o outro ortodoxo, ambos defensores de uma concepção ascética da religião), ambos líderes políticos revolucionários, na verdadeira acepção da palavra, ambos portadores de uma concepção superior (transcendente) do homem, ambos desejosos de assistir ao nascimento de um “Homem Novo” (na realidade um homem tradicional…), ambos defensores da “nacionalização” das massas trabalhadores (através do nacional-sindicalismo no caso espanhol e do socialismo nacional cristão no caso romeno) e, finalmente, ambos mártires da sua Causa. O seu sacrifício e exemplo inspirador fazem com que, ainda hoje, tenham seguidores não só nos seus países, mas também muito além das respectivas fronteiras.
*
* *
José António nasceu em 1903, no seio de uma família conservadora-monárquica. Seu pai, o General Primo de Rivera, havia em 1922 liderado um golpe de Estado, proclamando-se ditador; a sua ditadura não duraria, no entanto, muito tempo.
Diz-nos Muñoz Alonso que: “Nem pela ascendência familiar, nem pela formação académica, nem pela sua vocação, nem pelos seus usos e hábitos sociais, nem pelo seu temperamento, por nada disto José António pareceria destinado a representar a exigência e a origem motriz de um sindicalismo capaz de vertebrar os trabalhadores. José António venceu a batalha da vida consigo próprio, lutando contra as suas inclinações mais profundas”.
O que leva então o jovem José António a assumir a luta política, a lutar “contra as suas inclinações mais profundas”? Em primeiro lugar defender a honra e memória de seu pai, General Primo de Rivera, diariamente denegrida e emporcalhada. É assim que em 1931, em artigo publicado no jornal ABC proclama: “O povo de Madrid negar-me-á os seus votos? Mais um deputado republicano ou socialista não faz falta nas Cortes, porque nem a República nem o Partido Socialista têm falta de quem os defenda. Mas a memória do meu pai, sim. E este povo madrileno – que o meu pai tão bem entendia e com quem tão cordialmente comunicava – não pode deixar que o condenem sem antes ouvir a sua defesa. Um lugar nas Cortes para defender a memória do meu Pai!”
Progressivamente, durante o período que vai de 1931 a 1933, a sua “consciência do momento histórico em que vivia” acentua-se, levando-o à fundação da Falange em Outubro de 1933. Já não é a defesa da memória do pai que o move, mas sim a ideia de serviço: serviço a Espanha e a um Ideal redentor. É assim que no discurso fundacional da Falange, a 29 de Outubro de 1933, proclama: “O nosso movimento não é apenas uma maneira de pensar, é uma maneira de ser. Não nos devemos propor apenas a construção, a arquitectura política. Temos que adoptar, perante a vida, em cada um dos nossos actos, uma atitude humana, profunda e completa. Esta atitude é o espírito de serviço e sacrifício, o sentido ascético e militar da vida. Assim sendo, que ninguém pense que aqui recrutamos para oferecer recompensas; que ninguém pense que nos reunimos para defender privilégios.”
De facto, a Falange não pretende defender privilégios, nem manter o status quo. Pelo contrário, pretende a superação revolucionária da situação presente. Criticando ao mesmo tempo o liberal-capitalismo e o comunismo, a Falange e José António pretendem, através do nacional-sindicalismo, “a substituição do capitalismo”, que “só poderá dar-se quando forem alteradas (…) as formas e os centros do poder dentro da empresa; isto é, quando a empresa capitalista der lugar à empresa, de propriedade sindical ou não, em que é destruído o dualismo expresso no contrato de trabalho”.
Não tardaram as acusações de bolchevista… Aos que o acusam de bolchevismo José António dá uma resposta cabal: “O anti-bolchevismo é a posição que contempla o mundo sob o signo do espiritual. Estas duas atitudes, que hoje em dia se chamam bolchevismo e anti-bolchevismo, sempre existiram. É bolchevista todo aquele que procura vantagens materiais para si e para os seus dê por onde der; é anti-bolchevista aquele que está disposto a privar-se de satisfações materiais para sustentar valores de qualidade espiritual. Os velhos nobres, que pela religião, pela pátria e pelo Rei comprometiam as suas vidas e os seus bens, eram a negação do bolchevismo. Os que hoje, perante um sistema capitalista que grunhe, sacrificamos comodidades e vantagens materiais para conseguir um reajuste do mundo sem que o espiritual naufrague, somos a negação do bolchevismo. (…) Pelo contrário, aqueles que se aferram ao gozo de infinitas opulências gratuitas, os que consideram mais urgente a satisfação da sua superfluidade que o socorro da fome de um povo, esses sim, intérpretes materialistas do mundo, são os verdadeiros bolchevistas. E com um bolchevismo de espantoso refinamento: o bolchevismo dos privilegiados”.
Nesse mesmo discurso fundacional diz também o seguinte: “Queremos menos palavreado liberal e mais respeito pela liberdade profunda do homem. Porque apenas respeitamos a liberdade do homem quando o consideramos, como nós o fazemos, portador de valores eternos; quando o consideramos revestimento corporal de uma alma que é capaz de se condenar e de se salvar. Apenas quando o homem é assim considerado, se pode dizer que se respeita de verdade a sua liberdade, e ainda mais se essa liberdade se conjuga, como nós pretendemos, num sistema de autoridade, de hierarquia e de ordem”.
Infelizmente, a actividade frenética de José António, enquanto líder e militante, e também a sua morte precoce, com apenas 33 anos e apenas três anos após a fundação da Falange, não permitiram a sistematização do seu pensamento, disperso por artigos, ensaios e discursos, quase todos marcados pelas vicissitudes políticas do momento. No entanto, pensamos não errar ao afirmar que a concepção do homem enquanto portador de valores eternos, o sentido ascético e militar da vida (o “homem metade monge, metade soldado” de que falava), o espírito de serviço e sacrifício, a ideia de autoridade, hierarquia e ordem constituem o núcleo fundamental do pensamento político de José António.
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Já Codreanu, nascido em 1899 (mais velho que José António apenas 4 anos), parece ter tomado consciência da necessidade do combate político mais cedo, talvez por influência familiar (seu pai, Ion Zelea Codreanu, era um destacado militante nacionalista). Em 1916, quando a Roménia entrou na I Guerra Mundial, o jovem Codreanu, apesar de não ter idade suficiente, tentou alistar-se. Não o podendo fazer, fugiu de casa para se juntar a seu pai na frente de combate.
Em 1919 muda-se para Iasi, para prosseguir os seus estudos universitários de direito. É aí que conhece o professor Cuza, destacado intelectual nacionalista, com o qual viria a fundar mais tarde, em 1923, a Liga de Defesa Nacional Cristã. É também aqui que, pela primeira vez, toma contacto directo com a subversão judeo-bolchevique. No final desse ano de 1919 junta-se à Guarda da Consciência Nacional, uma efémera organização nacionalista dirigida pelo operário Constantin Pancu. É no seio deste grupo que nasce a ideia de um “socialismo nacional cristão”. Segundo Codreanu: “Não basta derrotar o comunismo. Temos de combater pelos direitos dos trabalhadores. Eles têm direito ao pão e à honra. Temos de lutar contra os partidos oligárquicos, criando organizações nacionais de trabalhadores que possam obter os seus direitos no seio do Estado e não contra o Estado”.
Codreanu descreve-nos assim o início da sua actividade política: “Não sou capaz de definir com entrei na luta. Provavelmente como um homem que, caminhando pela rua, com as suas preocupações, as suas necessidades e os seus pensamentos, sendo surpreendido pelo fogo que consome uma casa, tira o seu casaco e corre a ajudar as vítimas das chamas. Com o senso comum de um jovem de vinte e poucos anos, a única coisa que podia compreender em tudo o que via à minha volta, era que estávamos a perder a Pátria, que não teríamos mais uma Pátria, que, com o apoio inconsciente dos miseráveis, os empobrecidos e explorados trabalhadores romenos, a horda judaica nos varreria. Comecei com um impulso do meu coração, com esse instinto de defesa que até o mais baixo verme possui, não com o instinto de auto-preservação, mas de defesa da raça à qual pertenço.”
Em 1922 participa na fundação da Associação de Estudantes Cristãos. Nesse mesmo ano muda-se para a Alemanha, para prosseguir os seus estudos, inscrevendo-se na Universidade de Berlim. É aqui que ouve falar pela primeira vez de Adolf Hitler e do nacional-socialismo. No entanto, no final desse ano, a 10 de Dezembro, os estudantes romenos entram em greve, exigindo melhores condições de vida, mas também a imposição do numerus clausus, visando limitar a presença judaica nas universidades; Codreanu apressa-se a regressar ao seu país para participar no movimento. Durante esta greve Codreanu convence-se que a altura é propícia à criação de um movimento de base mais ampla, e não apenas estudantil, o que o leva a fundar, em 1923, juntamente com o professor Cuza a Liga de Defesa Nacional Cristã.
Infelizmente a Liga parece estagnar e perder-se em disputas internas. Quando em 1927 Codreanu regressa de Grenoble, onde prosseguiu os seus estudos, decide começar de novo, fundando, a 24 de Junho de 1927, juntamente com alguns camaradas enrijecidos pelas inúmeras passagens que já todos tinham pelas cadeias romenas, a Legião de São Miguel Arcanjo. Nasce assim o Movimento Legionário, que mais tarde seria também conhecido pelo nome de Guarda de Ferro.
A década seguinte será marcada por sucessos eleitorais e por um clima de extrema violência política e arbitrariedade de parte a parte. A cada golpe infligido pelo regime político romeno, a cada arbitrariedade e violência, a Legião não hesita em responder na mesma moeda; os assassinatos e atentados sucedem-se. Tornar-se-ia fastidioso enumerar aqui todos os episódios de violência que ocorreram neste período… De qualquer maneira, aquilo que verdadeiramente nos interessa é a doutrina legionária, e não tanto as vicissitudes do seu combate.
Codreanu deixou alguns livros em que expõe a sua doutrina. De entre eles destacaremos os livros “Guarda de Ferro” e “Manual do Chefe”. O primeiro consiste numa autobiografia e história do Movimento Legionário, expondo simultaneamente a doutrina legionária. O segundo é, como o nome indica, um manual para todos os chefes de “cuib” (literalmente, ninho; o “cuib” era a célula base do Movimento Legionário); por entre indicações meramente práticas, como o tamanho dos estandartes ou as informações a incluir num relatório, encontramos também a exposição dos princípios legionários. E que princípios são esses? O melhor é deixarmos o próprio Codreanu falar: “O homem compõe-se de um organismo, ou seja, de uma forma organizada, depois de forças vitais, depois de uma alma. Podemos dizer o mesmo de um povo. E a construção nacional de um Estado, se bem que abranja naturalmente estes três elemen­tos, por razões de vária ordem e diferentes heranças, pode sobretudo assumir especialmente um ou outro destes aspectos. (…) Daí vem o carácter dos diferentes movimentos nacionais, que, ao fim e ao cabo, compreendem os três elementos e não deixam nenhum de lado. O carácter específico do nosso movimento vem-nos de uma antiga herança. Já Heródoto chamava aos nossos pais: “os Dácios Imortais”. Os nossos ancestrais geto-trácios tinham fé, inclusivamente antes do cristianismo, na imor­talidade e indestrutibilidade da alma, o que prova a sua orienta­ção em direcção à espiritualidade. A colonização romana acres­centou a este elemento o espírito romano de organização e de forma. (…) E é esta herança que o movimento legionário quer des­pertar (…) Partindo do espírito, quer criar um homem espiritualmente novo. Realizando esta tarefa enquanto “movimento”, aguarda-nos o despertar da segunda herança ou seja, a força romana politicamente formadora. Assim, o espírito e a religião são, para nós, o ponto de partida, o “nacionalismo construtivo” é o ponto de chegada, uma simples consequência. A ética simultaneamente ascética e heróica da Guarda de Ferro consiste em reunir um e outro ponto”.
Aqui está, resumida pelo próprio Codreanu, a doutrina legionária. Deixemo-lo falar mais uma vez, apenas para reforçar a ideia central do seu movimento: “Este país morre por falta de homens, não por falta de programas… Por outras palavras, o que precisamos não são programas, mas homens, homens novos.”
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Já vimos, ainda que sumariamente, a vida e a doutrina destes dois mártires. Falta-nos apenas falar da sua morte; e também aqui, no momento da morte, os seus percursos se cruzam.
José António é assassinado na manhã de 20 de Novembro de 1936, com apenas 33 anos. Desde Fevereiro de 1936 ele e outros líderes da Falange encontram-se encarcerados e o seu movimento proibido. O Alzamiento de 18 de Julho de 1936 encontra-o, portanto, na prisão e incomunicável. A 17 de Novembro é julgado na prisão de Alicante, juntamente com o seu irmão Miguel e a cunhada Margot, acusados de “rebelião militar”. Conta-nos o seu irmão Miguel que “Um dos homens que formavam o grupo de assassinos de José António, quando este se dirigia para junto do muro do pátio, disposto a receber a descarga, fixou os olhos no sobretudo de meu irmão. “Que bom agasalho levas!” – disse-lhe. José António, com naturalidade, respondeu-lhe: “Toma-o.” “Não, não, quando morreres.” José António sorriu, tirou o sobretudo e entregou-lho. No pátio estavam os que iam morrer com ele. Apontavam as armas e o barulho dos disparos confundiu-se com a voz do chefe da Falange que soltava o seu último “Arriba España”. Não tinham passado cinco minutos desde que abandonara meu irmão e ao transpor a porta da cela ouvia a descarga que punha termo à sua existência. Antes que pudesse dar ao pelotão a ordem de disparar, José António gritou como nunca ouvi gritar: “Arriba España”!”
Codreanu, por seu turno, foi assassinado pelos inimigos da sua pátria na noite de 29 para 30 de Novembro de 1938; tinha portanto, 39 anos. As condições da sua morte são ainda mais sinistras do que as que rodearam a morte de José António.
Nas eleições de 1937 o Movimento Legionário conseguiu um excelente resultado, tornando-se um dos maiores partidos da Roménia. O Rei, perante a possibilidade da Guarda de Ferro chegar ao poder e receoso do potencial revolucionário do partido, e após permitir a constituição de um governo que excluísse a Guarda, decide, no início de 1938, proibir todos os partidos, aprovar uma nova constituição de tipo “fascista” e instaurar uma ditadura pessoal. Desencadeia-se imediatamente a perseguição aos líderes legionários. Codreanu é preso em Abril de 1938, acusado de insultar um ministro e conspirar contra o Estado, sendo condenado a 10 anos de prisão. Na noite de 29 de Novembro, por ordem expressa do Rei, Codreanu e outros 13 líderes legionários são retirados das suas celas e levados para um bosque, onde são enforcados e posteriormente fuzilados. A sua morte é, oficialmente, atribuída a uma tentativa de fuga.
José António e Codreanu, através do seu exemplo de idealismo e abnegação, são ainda hoje uma inspiração para todos os defensores da Pátria, da Raça e da Tradição.
José António e Codreanu: Mártires do Ideal; Ontem, hoje, sempre: Presentes!

Saber escolher

«Recuemos, e será maior o perigo, avancemos, e será maior o esforço» (Séneca)

Perguntamo-nos “nós”, que nunca fizemos parte de nenhuma claque de futebol, que nunca os nossos pais nos incutiram ódio para com ninguém de outra raça ou outra religião (excluindo as anedotas normais dos “samoras”, a sovinice dos eleitos, e a ciganice parasita…!), que desde miúdos nos acostumamos a ver ano sim ano não um filme sobre o holocausto judeu, que desde a entrada na escola vimos a História contada pelos ditames estatais, quer antes do 25 de Abril, quer depois da dita data, até ao actual politicamente correctês – perguntamo-nos como viemos “aqui” parar?

Reforçando a ideia: desde tenra idade “aprendemos” quem eram os bons e quem eram os maus. Onde estavam os coitados dos perseguidos e quem eram os seus diabólicos perseguidores. De quem fugisse deste padrão educacional podia-se dizer muita coisa, mas não estava certamente enquadrado nas pessoas de bem, e se tinha ideologias e personagens diabólicas como ídolos, das duas uma, ou era nitidamente mau carácter ou mais um adolescente com crises próprias da idade…

Frisamos que estamos a falar da generalidade educacional das últimas gerações e não de casos esporádicos que culturalmente através de educação familiar, ou de amigos próximos, tiveram um contacto diferenciado com a História.

Dito isto, e sabendo que muita gente obrigatoriamente influenciada pelo establishment andou da esquerda para a direita, e da direita para a esquerda à procura de… um mal menor, que tem vindo a descobrir empiricamente com o tempo, à sua custa e da pior maneira, e portanto parou para pensar, reflectir, ou simplesmente num – basta, já chega – procurou e procura alternativas.

As alternativas que muita boa gente encontra, como num último balão de oxigénio, são-lhes enganosamente fornecidas, ainda, pelo establishment democrático em forma de Blocos de Esquerda, pretensamente anti-sistema, mas do qual, tão bem sabemos, eles também fazem parte. Perguntamo-nos se dita gente alguma vez poderia fazer parte das nossas fileiras ou se em última analise diríamos – está-lhes no sangue, são vermelhos, ou de outros – anarcas por natureza!

No entanto sabemos que, mesmo que por raras excepções, não é assim, e que por diversas formas eles chegam até “nós”, talvez por descobrirem quem realmente o Sistema persegue e encarcera, por delitos de opinião, nesta Europa (livre e democrática!).

Devemos no entanto estar cientes de uma coisa, somos nós, como já anteriormente referimos, “os maus da fita” pois é essa a imagem que os me(r)dia e restante escumalha passa de gente que pensa e age de modo diferente, e por conseguinte, com este nosso negro rótulo, quem de nós se pretende aproximar, alguma coisa de mau terá!… Como alguém dizia: Se não é tarado, alguma tara lhe iremos encontrar mais tarde!…

Quando os me(r)dia & associados diariamente fazem a lavagem cerebral dizendo o quão maus e perigosos “somos”, digamos que é de ter cuidado com quem nos procura, não acham?

Temos estado a abordar este tema referindo-nos a “nós” com aspas, precisamente para relembrar que nestas aspas cabe uma amálgama, raramente coesa, de gente, grupos e partidos, que os nossos inimigos chamam vulgarmente de “extrema-direita”, extrema esta mil vezes pior que qualquer extrema-esquerda que como bem sabemos é aceite e acarinhada pele sistema («les enfants terribles»).

Ao contrário dos democráticos e seus queridos extremistas de esquerda que brincalhonamente se picardiam, dando ares de oposições sérias com salutares alternativas, a “nossa gente”, por vezes muito douta, faz teses e escreve artigos sobre as “várias extremas-direitas” e sua forma de actuação ou inacção. Uns são acusados de violência gratuita e outros de se virarem demasiado para si mesmos e preferirem uma espécie de – como é mesmo? – contemplação baseados num qualquer orientalismo!…

Achamos por bem balizar estes dois posicionamentos para tentarmos perceber o que anda pelo meio destes dois postes da chamada extrema-direita, os da pancadaria gratuita e os “monges orientais” a olhar o vazio!

Pois bem, como podem observar, parece “termos” de tudo, agora meus caros é só uma questão de marketing, e olhem que para além dos da pancada e dos monges a “fauna” é imensa.

Cavalgar o Tigre (Introdução)

1. Orientação. O mundo moderno e os homens da tradição

Nesta obra propomo-nos estudar alguns dos aspectos da época actual, precisamente aqueles aspectos que a converteram essencialmente numa época de dissolução e, ao mesmo tempo, abordar o problema do comportamento e das formas de existência que, numa situação como esta, interessam adoptar a umdeterminado tipo de homem.

Esta última restrição nunca deverá ser perdida de vista. O que se vai ler não afecta a totalidade dos nossos contemporâneos, mas unicamente ao homem, ainda que comprometido com o mundo actual, inclusive onde a vida moderna alcançou o ponto mais amargo, problemático e paradoxal, não lhe pertence interiormente, no entanto não contempla a possibilidade de lhe ceder, e sente-se, por sua essência, de uma raça diferente da maior parte dos outros homens.

O lugar natural dum homem assim, numa terra onde não seria um estranho é no mundo da Tradição: esta expressão tem aqui um carácter particular que já utilizamos em outras ocasiões próximo das categorias utilizadas por René Guenon em sua análise crítica do mundo moderno. Segundo esta concepção particular, uma civilização ou uma sociedade são “tradicionais”, quando estão regidas por princípios que transcendem o que há de mais humano e individual, quando todas as suas formas lhe vêm do alto e quando estão inteiramente orientadas para cima. Mas, apesar da diversidade das suas formas históricas, o mundo da Tradição caracteriza-se por uma identidade e constância essenciais. Em outros livros tentamos precisar quais eram estes valores e as categorias fundamentais e imutáveis que constituem a base da civilização, sociedade ou organização da existência, que se possam qualificar de “normais” no sentido superior de um significado justo.

Tudo o que acabou por prevalecer no mundo moderno, representa a exacta antítese do tipo tradicional de civilização. A experiência mostra, de uma forma cada vez mais evidente, como partindo de valores da Tradição (admitindo que haja alguém, hoje em dia, que saiba reconhecê-los e assumi-los), é muito provável que se possa, mediante acções e reacções eficazes, modificar de uma forma apreciável o actual estado de coisas. Não parece possível que perante os últimos transtornos mundiais, nem as nações, nem as instituições, nem tão pouco a grande maioria dos indivíduos e as condições gerais da sociedade, assim como as ideias, os interesses e as forças predominantes desta época, possam servir de alavanca para uma acção deste género.

Sem dúvida, existem alguns homens que permanecem por assim dizer, de pé entre as ruínas, no meio desta dissolução e que, mais ou menos conscientemente pertencem a este outro mundo. Uma pequena tropa que parece disposta a combater mesmo em posições perdidas. Quando não se submetem, quando se negam a compromissos ou não se deixam seduzir por aquilo que lhes poderia assegurar algum êxito. Nesse caso, seu testemunho é válido; outros, pelo contrário isolam-se completamente, o que exige firmeza interior e condições materiais privilegiadas, hoje em dia cada vez mais raras. Em todo o caso é a segunda das possibilidades. Por fim é preciso mencionar, os escassos espíritos que no campo intelectual podem mesmo afirmar “valores tradicionais”, independentemente de todo o fim imediato, com o objectivo de desenvolver uma acção de “presença”, uma acção certamente útil para impedir que a conjuntura actual introduza um obscurecimento completo do horizonte, não só sobre o plano material, mas também no plano das ideias, e não permita distinguir nenhuma outra escala de valores que aquela que lhes é própria. Graças a estes homens, as “distâncias” podem ser mantidas: outras dimensões possíveis, outros significados de vida podem ser indicados a quem é capaz de distanciar-se, de não ficar somente a olhar as coisas próximas ou o presente.

Infelizmente isto não resolve o problema de ordem pessoal e prático que se coloca, não naqueles que têm a possibilidade de se afastar materialmente, mas naqueles que não podem ou não querem cortar a ligação com a vida actual e que, por isto mesmo, devem resolver o problema do comportamento a adoptar na vida, nem que seja só no plano das reacções humanas mais elementares.

Essencialmente pensando neste tipo de homens se escreveu a presente obra, e é a este homem que se aplica esta máxima de um grande “precursor”: “O deserto cresce. Desgraçado daquele que esconde desertos dentro de si.” Não encontra com efeito nenhum apoio no exterior. As organizações e instituições que numa civilização tradicional lhe haviam servido de ponto de apoio e permitido realizar-se integramente, organizar de maneira clara e precisa a sua própria existência, defender e aplicar no seu meio como em si mesmo, os valores essenciais que reconhecia interiormente, estas organizações e instituições não existem hoje em dia. Não convém pois, continuar a apresentar linhas de acção que, adequadas e legais em toda a civilização normal e tradicional não o são numa civilização anormal, num meio sócio, psíquico, intelectual e material completamente diferente, num clima de dissolução geral, num sistema de desordens constantes e, em todo o caso, sem uma legitimidade superior. Disto tudo resulta uma série de problemas específicos que nos propomos estudar em seguida.

Um ponto que deve ser esclarecido antes de tudo é a atitude a adoptar no que diz respeito às “sobrevivências”. Principalmente na Europa Ocidental subsistem hábitos, instituições e costumes do mundo de ontem, quer dizer, do mundo burguês, que resistem com muita persistência. Hoje em dia, quando se fala de crise, no fundo é da crise do mundo burguês do que se trata: são as bases da civilização e sociedade burguesa que sofrem esta crise, o objecto desta dissolução. Não é o que consideramos o mundo da Tradição. O mundo que se desintegra social, política e culturalmente, é aquele que se formou a partir da Revolução do Terceiro Estado e da primeira revolução industrial, mesmo se misturados com alguns vestígios de uma ordem mais antiga.

Quais são as relações que podem existir entre este mundo e o tipo de homem que nos interessa? Esta questão é essencial, pois na resposta que se lhe der, depende evidentemente o sentido a ser atribuído aos problemas de crise e dissolução, cada vez mais visíveis em nossos dias, e a atitude a adoptar, tanto a seu respeito, como em respeito ao que não foi ainda completamente minado ou destruído por eles.

A resposta não pode ser mais negativa. Nosso tipo de homem não tem nada a ver com o mundo burguês. Deve considerar tudo que é burguês como algo recente e anti-tradicional, nascido de processos negativos e destrutivos. Percebe-se muitas vezes, que os fenómenos actuais de crise são uma espécie de Némesis, o da volta do pêndulo: - são precisamente as forças, que no seu tempo, foram postas em marcha contra a antiga civilização tradicional europeia (não vamos entrar em detalhes), que se voltaram contra quem as havia evocado, destruindo-as uma a uma e levando mais longe, até uma fase ulterior mais avançada o processo geral de desintegração. Isto vê-se muito claramente no plano político-social, por exemplo nas relações evidentes que existem entre a revolução burguesa do Terceiro Estado e os movimentos socialistas e marxistas que seguiram, entre a democracia e o liberalismo por um lado e o socialismo do outro. Os primeiros serviram simplesmente para abrir a via aos segundos e estes, depois de os haverem deixado cumprir a sua função, não pensam senão em destruí-los.

Ocorrendo isto, há uma conclusão que é preciso rejeitar energicamente: a que consistiria em apoiar-se sobre o que sobrevive do mundo burguês, em defendê-lo e torná-lo como apoio para lutar contra as correntes de dissolução e subversão mais violentas, depois de ter tentado animar ou fortalecer estes vestígios com a ajuda de alguns valores mais altos e mais tradicionais.

Perante isto, a situação geral acentua-se cada vez mais, desde os acontecimentos cruciais que foram as duas grandes guerras mundiais e suas repercussões, adoptar esta atitude seria criar ilusões sobre as possibilidades práticas que existem. As transformações já ocorridas são demasiado profundas para serem reversíveis. As forças que estão em estado livre ou em vias de sê-lo, não são susceptíveis de serem reintegradas ao ponto das estruturas do mundo de ontem. É precisamente o facto das tentativas de reacção não se ligarem mais do que a estas estruturas desprovidas de toda a legitimidade superior, o que deu vigor e capacidade de se implantar às forcas de subversão. Por outro lado, tal via conduziria a um equívoco tão inadmissível sobre o plano ideal, como perigoso sobre o plano táctico. Como temos dito, os valores tradicionais – aqueles que nós chamamos “valores tradicionais” – não são os valores burgueses, mas sim a sua antítese. Reconhecer um valor a estas sobrevivências, associá-las de uma forma ou de outra aos valores tradicionais, utilizá-las para o fim que acabamos de indicar, levaria pois, quer a testemunhar uma pobre compreensão destes mesmos valores, quer a diminuí-los e a descer a uma forma de compromisso, ao mesmo tempo desprezível e perigoso. Perigoso pois, é o facto de ligar de uma forma ou de outra, as ideias tradicionais a formas residuais de civilização burguesa que iria expor estas, em mais de um aspecto legítimo e necessário, a sofrer o ataque inevitável, actualmente empreendido contra esta civilização.

É pois, para a solução oposta que nos devemos encaminhar mesmo se isto torna as coisas difíceis e comporta outro tipo de risco. É positivo cortar todos os laços com o que está destinado a desaparecer, mais ou menos em breve prazo. O problema será então manter uma linha de direcção geral sem apoiar-se em nenhuma forma dada ou transmitida, incluindo as do passado, que são autenticamente tradicionais mas que já pertencem à história. A continuidade não poderá ser mantida mais sobre o plano existencial, ou mais precisamente debaixo de uma forma de orientação íntima do ser, que deveria ir a par, com a maior liberdade individual virada para o exterior. Tal como se exporá de maneira detalhada a seguir, o apoio que a tradição poderá trazer não deve vir de esquemas regulares e reconhecidos de uma civilização nascida antigamente, mas sim, e antes de tudo, dos princípios doutrinais que ela continha, em estado pré-formal, ao mesmo tempo superior e anterior às formas particulares que se desenrolaram no curso da história, doutrina que no passado não pertencia às massas, mas que tinha o carácter de uma “doutrina interna”.

Além disso, existindo a impossibilidade de actuar de maneira positiva no sentido de um regresso ao sistema normal e tradicional, existindo a impossibilidade de ordenar organicamente e com coerência a sua própria existência no ambiente da sociedade, da cultura e dos costumes modernos, fica por saber em que medida se pode aceitar plenamente um estado de dissolução sem se ser influenciado interiormente por ele. Convém examinar igualmente, aquilo que na fase actual – em última análise, fase de transição – pode ser escolhido, separado do resto e assumido como forma livre de um comportamento, que exteriormente não seja anacrónico mas permita também identificar-se com o que há de mais avançado no pensamento e costumes contemporâneos, ainda que permanecendo interiormente determinado e orientado por um espírito completamente diferente.

A fórmula “ir, não onde se defende mas sim onde se ataca”, proposta por alguns, poderá ser adoptada pelo grupo dos homens diferenciados, descendentes da Tradição, aqueles que vamos tratar aqui. Isto significa que pode ser bom contribuir para derrubar o que vacila e pertence ao passado, ao mundo de ontem, em vez de assinalá-lo e de prolongar a sua existência. É uma táctica possível, cuja essência é impedir que a crise final seja obra de forças contrárias cuja acção se deverá entretanto aguentar. O risco de tal atitude é evidente: não se sabe quem terá a última palavra. Não há nada na época actual, assim mesmo, que não seja perigoso. Para quem permanece em pé, é talvez a única vantagem que tal atitude representa. Resumindo convém reter as seguintes ideias fundamentais:

- É preciso realçar o sentido de crise e o processo de dissolução que muitos deploram hoje em dia, e mostrar que o objectivo principal e real deste processo de destruição é a civilização e a sociedade burguesa, as quais, na escala dos valores tradicionais, tomavam o sentido de uma primeira negação do mundo que as havia precedido e que lhes era superior. Continuando, a crise do mundo moderno poderá eventualmente representar, segundo uma expressão hegeliana, uma “negação da negação”, e por consequência um fenómeno positivo. A alternativa é a seguinte: ou a negação da negação conduz ao nada – ao nada que brota das formas múltiplas do caos, da dispersão e do caos que caracterizam as numerosas tendências das últimas gerações; ou esta outra negação que apenas se esconde por detrás do sistema organizado da civilização material – ou esta negação vai criar para os homens que nos interessam aqui, um novo espaço livre, que eventualmente poderá representar a condição prévia de uma acção formadora posterior.

2. Fim de um ciclo. “Cavalgar o tigre”

Esta última ideia refere-se a uma perspectiva que, rigorosamente falando, não é a deste texto, pois diz respeito, não ao comportamento interior e pessoal, mas sim ao colectivo, não à realidade de hoje, mas sim a um futuro que não é possível hipotecar e do qual é essencial que não se faça depender de nenhuma forma o próprio comportamento.

Trata-se da perspectiva já mencionada anteriormente, segundo a qual a nossa época poderia ser, em última análise, uma época de transição. Vamos dedicar algumas palavras a este tema antes de abordarmos o problema principal que nos interessa, referindo-nos à doutrina de ciclos da vida e à ideia de que a época actual, assim como todos os fenómenos que a caracterizam, correspondem à fase terminal de um ciclo.

A fórmula que escolhemos como título deste livro “Cavalgar o Tigre”, pode servir de transição entre o que temos dito até aqui e a doutrina em questão. Esta fórmula do extremo oriente, significa que se uma pessoa consegue cavalgar um tigre, se o impede de nos atacar e se para além disso, se não cai, se permanece agarrado, pode acontecer que o consiga dominar; recordemos, para quem se interessa, que um tema análogo se encontra em muitas escolas de sabedoria tradicional, como o Zen japonês (as diversas situações do homem e do touro), e que a antiguidade clássica desenvolveu temas similares (as provas de Mitra, que se deixa arrastar por um touro furioso, sem o soltar, até que o animal se detém; então Mitra o mata).

Este simbolismo, aplica-se em vários planos. Pode referir-se a uma linha de conduta a seguir no plano interior, mas também a uma atitude que convém adoptar quando as situações críticas se manifestam no plano histórico e colectivo. Neste último caso, o que nos interessa é o vínculo que existe entre este símbolo e aquilo que ensina a doutrina geral da história, em particular sobre a sucessão das “quatro idades”. Esta doutrina, tal como tivemos oportunidade de expor em outras ocasiões, revestiu-se de aspectos idênticos tanto no Oriente como no Ocidente.

No mundo clássico fala-se do retrocesso progressivo da humanidade desde a Idade do Ouro, até ao que Hesíodo chama a Idade de Ferro. Nos ensinamentos hindus correspondentes, a idade final é chamada de Kali Yuga (Idade Sombra) e expressa o carácter essencial que lhe é próprio: precisamente num clima de dissolução, a passagem ao estado livre das forças individuais e colectivas, materiais, físicas e espirituais, que anteriormente tinham permanecido reprimidas de diversas formas, por uma lei proveniente do alto e por influências de ordem superior. Os textos tântricos deram uma imagem sugestiva desta situação, dizendo que correspondem ao “despertar” de uma divindade feminina – Kali – símbolo da força elementar e primordial do mundo e da vida, mas que se apresenta debaixo de aspectos infernais, como a deusa do sexo e dos ritos orgiásticos. “Adormecida” até agora – quer dizer, latente nestes últimos aspectos – estaria durante a “Idade Sombria” completamente desperta e em acção.

Tudo parece indicar que é precisamente a situação que se desenrola nestes últimos tempos e que teve seu epicentro na civilização e sociedades ocidentais, a que se estendeu rapidamente ao mundo inteiro; o facto da época actual se encontrar debaixo do signo do Aquário, poderá encontrar, por outro lado, uma interpretação normal em alusão às águas, nas quais tudo permanece em estado fluido e informe. Previsões formuladas à muitos séculos atrás – pois as ideias aqui expostas remontam a uma época longínqua – hoje se revelam singularmente actuais. Este contexto refere-se, como já dissemos, aos pontos de vista expostos, no que se apresenta de forma análoga o problema da atitude a adoptar durante a última idade, atitude aqui associada ao símbolo do tigre que se cavalga.

Com efeito, os textos que falam de Kali-Yuga e da Idade Sombria, também proclamam que as normas de vida válidas para as épocas em que as forças divinas permaneciam de certo modo vivas e actuantes, deviam ser consideradas como obsoletas durante a última idade. Esta veria aparecer um tipo de homem essencialmente diferente, cada vez mais incapaz de seguir os antigos preceitos, em razão da diferença do meio histórico, quer dizer planetário; estes preceitos, mesmo se fossem seguidos já não trariam os mesmos frutos. É por isto que se propõem agora regras diferentes e pelo que se aboliu a lei do segredo que cobria anteriormente algumas verdades, ou determinada ética e determinados ritos particulares, por causa do seu carácter perigoso e da antítese com as formas de uma existência normal, regulamentada pela Tradição Sagrada. O significado desta convergência de pontos de vista não escapa a ninguém. Estas ideias longe de terem, neste como em outros pontos, um carácter pessoal e contingente, referem-se essencialmente a perspectivas que o mundo da Tradição já havia conhecido quando foram previstas e estudadas situações gerais de um carácter irregular.

Examinemos agora como se aplica ao mundo exterior, ao meio em geral, o princípio consistente de cavalgar o tigre. Pode então significar que quando uma civilização atinge o seu auge é difícil alcançar um resultado qualquer resistindo, opondo-se directamente às forças em movimento. A corrente é muito forte e qualquer um correria o risco de ver-se arrastado. O essencial é não se deixar impressionar por aquilo que parece todo-poderoso, nem tão pouco pelo triunfo aparente das forças da época. Privadas de ligação com qualquer princípio superior, na realidade estas forças têm um campo de acção limitado.

Não faz falta pois auto-sugestionar-se pelo presente, nem pelo que nos rodeia, sem pressentir também as condições susceptíveis de se apresentarem mais tarde. A regra a seguir consiste em deixar livre o curso das forças e dos processos da época, permanecendo firmes e dispostos a intervir “quando o tigre, que não pode atirar-se sobre quem o cavalga estiver fatigado de correr”. Interpretado de uma forma particular o preceito cristão da não resistência ao mal, poderia ter um sentido análogo. Abandona-se a acção directa e cada um retira-se para posições mais reservadas.

As perspectivas que regem a doutrina das leis cíclicas estão aqui implícitas: quando um ciclo termina, outro começa, e o ponto culminante do processo é também aquele onde se produz o encaminhamento na direcção oposta. O problema da continuidade entre um ciclo e outro permanece no entanto exposto. Para recuperar uma imagem de Hofmansthal, a solução positiva seria a do reencontro entre os que souberam velar durante a longa noite e os que, talvez apareçam no novo amanhecer. Infelizmente não se pode estar seguro deste desenlace: não se pode prever com certeza de que forma nem em que contexto poderá manifestar-se uma certa continuidade entre o ciclo que chega ao seu fim e o ciclo seguinte. Convém pois conferir à linha de conduta, válida na época actual, daquela que antes havíamos falado, um carácter autónomo e um valor permanente e individual. Nós entendemos aqui, que a atracção exercida por perspectivas positivas, mais ou menos num breve plano não devem ter um papel importante. Inclusive poderiam estar ausentes por completo até ao fim do ciclo e as possibilidades apresentadas por um novo movimento, para além de um certo ponto podem dizer respeito a outros homens que, como nós próprios, se tenham mantido igualmente firmes, sem esperar nenhum resultado directo nem nenhuma mudança exterior.

Antes de abandonar o domínio introdutivo para abordar nosso tema principal, será talvez útil mencionar um outro ponto particular que está igualmente relacionado com as leis cíclicas. Trata-se das relações entre a civilização ocidental e as outras civilizações, particularmente a civilização oriental.

Entre aqueles que reconheceram a crise do mundo moderno e que renunciaram também a considerar a civilização moderna como a civilização por excelência, o apogeu e a bitola para qualquer outra civilização, há quem tenha voltado o seu olhar para o Oriente, onde subsiste uma orientação tradicional e espiritual da vida que, desde à longo tempo, deixou de servir ao Ocidente como base de organização efectiva dos diferentes domínios da existência. Inclusive tem-se perguntado se não se pode encontrar no Oriente pontos de referência úteis para a reintegração do Ocidente. René Guenon foi o defensor mais empenhado desta tendência.

Mas é preciso ver claramente sobre que aspectos se situa o problema, se se trata de simples doutrinas e de contactos “intelectuais” esta procura é legítima. Mas, convém assinalar, pelo menos em parte, que podemos encontrar exemplos e referências claras em nosso próprio passado ocidental e tradicional, sem necessidade de buscar numa civilização não europeia. Em todo o caso pouco se ganharia. Trata-se de um intercâmbio de alto nível entre elementos isolados que cultivam sistemas metafísicos. Se, pelo contrário, se aspira a influências reais com uma repercussão importante sobre a existência, não se pode ter ilusões. O Oriente segue agora o caminho que nós demoramos vários séculos a percorrer.

O “mito do Oriente” fora do círculo dos sábios e especialistas das disciplinas metafísicas é pois enganoso. “O deserto cresce”, não existe civilização que possa servir-nos de apoio, devemos enfrentar sozinhos nossos problemas. A única perspectiva, mas hipotética, que em contrapartida nos oferecem as leis cíclicas é esta: o processo decadente da “Idade Sombria” na sua fase final, começou entre nós; não está pois posto de parte que sejamos também nós os primeiros a superar o ponto zero, no momento em que outras civilizações, entradas mais tardiamente na mesma corrente, se encontrem, pelo contrário num estado similar ao nosso na actualidade, depois de ter abandonado – “superado” – e que oferecem ainda hoje os valores superiores e as formas de organização tradicionais susceptíveis de nos atrair. Resultaria pois que o Ocidente, invertendo os papéis, se encontraria numa situação para além do limite negativo e estaria qualificado para uma nova função de guia ou de chefe, muito diferente do que realizou no passado com a civilização tecno-industrial e material e que agora já debilitada teve como único resultado o nivelamento geral.

Quem sabe para alguns, estas breves indicações sobre perspectivas e problemas de ordem geral não tenham sido inúteis. Como tínhamos dito, voltaremos pois ao aspecto da vida pessoal que nos interessa: deste ponto de vista, definindo a orientação a dar a algumas experiências ou processos actuais com vista a extrair resultados diferentes dos que a maioria dos nossos contemporâneos consegue, importa estabelecer posições autónomas, independentes do que poderá ou não chegar a ocorrer no futuro.


- Julius Evola

Quando tudo parece perdido...

A vila Kanna fica no interior do Japão e apenas possui plantadores de arroz. Tudo na vila é feito para que tenham êxito na plantação do cereal. Mas tudo começa a dar errado quando bandidos aparecem nas épocas de colheita e roubam a produção do ano com suas máquinas gigantescas e armamento bélico pesado. Como se já não fosse o suficiente, ainda levam as mulheres e crianças da vila. Cansados de tudo, o ancião da vila decide que algumas pessoas irão para a cidade procurar a ajuda de um samurai para derrotar os bandidos. Os que vão para a cidade, com apenas um saco de arroz para oferecer ao samurai que procuram, são: Kirara, a sacerdotisa da água, responsável por procurar locais bons para plantar com a ajuda de seu amuleto; Rikichi, um dos camponeses que teve sua mulher raptada pelos bandidos e, por fim, Komachi, a irmãzinha menor de Kirara que sempre está alegre. Mas na cidade a procura pelos samurais não é fácil. Dos poucos ainda existentes, nenhum quer se candidatar a lutar recebendo apenas arroz como pagamento. Até que Kirara vê um tumulto ser desfeito por um samurai de vestes brancas e cabelo comprido, Kambei Shimada, e decide que ele será o samurai que a ajudará. No meio do tumulto, a garota conhece Kikuchiyo, um samurai com corpo de metal; e Katsushiro, um samurai que, segundo Kirara, não possui cheiro de batalha. Depois de algumas perseguições do governo da cidade, Kirara é salva por Kambei e este decide ajudar a garota. Mas, segundo o samurai, apenas um não é suficiente para derrotar os bandidos, são necessários mais seis. Então, começa a busca por eles para salvar a vila de Kanna.
Além do próprio Kambei, Katsushiro unem-se ao grupo de artistas Gorobei, o cortador de lenha Heihachi, o velho amigo de Kambei conhecido como Shichiroji e, por fim, o rival do samurai de vestes brancas, cujo nome é Kyuzo. A ida para vila Kanna é muito difícil por causa de varias perseguições, mas o grupo finalmente chega ao seu destino.
A batalha contra os bandidos exige uma mobilização de toda a vila, tornando necessário ensinar aos camponeses como manejar em armas para a grande guerra contra os meliantes. A guerra é dura e gera algumas baixas (leia-se “mortes”) no grupo dos heróis. Mas ainda não é o fim, pois eles precisam ir a capital para destruir o tirano responsável por tudo. Será que os samurais conseguirão resgatar todos os raptados e trazer paz a vila Kanna e todas as outras?

José António Primo de Rivera - Presente!

A 20 de Novembro de 1936 um Homem de excepção sai da sua cela da Prisão de Alicante e é conduzido até ao pátio onde iriam pôr fim à sua vida. Um dos verdugos olha fixamente para o sobretudo que o prisioneiro levava sobre os ombros.

José António apercebe-se daquele olhar invejoso que os vermelhos tão bem souberam manipular em seu proveito…

— Toma, é para ti, fica com ele.

O desgraçado do verdugo nem queria acreditar no que ouvia e pegou no casaco que José António lhe oferecia.

José António Primo de Rivera foi executado sem culpa formada pelos vermelhos (republicanos) na Prisão de Alicante.

Não esquecemos nem perdoamos.

José António primo de Rivera,
PRESENTE!

A Doutrina das Quatro Idades (excerto)

Por Julius Evola

Se o homem moderno, até a uma época ainda muito recente, concebeu o sentido da história como uma evolução e o exaltou como tal, o homem da Tradição teve consciência de uma verdade diametralmente oposta a esta concepção. Em todos os antigos testemunhos da humanidade tradicional pode-se encontrar sempre, de uma forma ou doutra, a ideia de uma regressão, de uma «queda»: de estados originários superiores, os seres teriam descido a estados cada vez mais condicionados pelo elemento humano, mortal e contingente. Este processo involutivo teria tido o seu início numa época muito recuada. O termo èddico ragna-rökkr, «crepúsculo dos deuses», é o que caracteriza melhor esse processo. E não se trata de um ensinamento que no mundo tradicional tenha sido expresso de uma forma vaga e genérica: pelo contrário, foi explicitado numa doutrina orgânica, cujas diferentes expressões apresentam em grande medida um carácter de uniformidade: na doutrina das quatro idades. Um processo de decadência gradual ao longo de quatro ciclos ou «gerações» — é este, tradicionalmente, o sentido efectivo da história, e por isso também o da génese do que nós chamamos, num sentido universal, «mundo moderno». Esta doutrina poderá portanto servir de base às considerações que se seguirão.

A forma mais conhecida da doutrina das quatro idades é a própria da tradição greco-romana. Hesíodo fala precisamente de quatro idades, assinaladas pelos metais ouro, prata, bronze e ferro, inserindo depois entre as duas últimas uma quinta era, a era dos «heróis», que contudo se verá ter só o significado de uma restauração parcial e especial do estado primordial. A tradição hindu tem a mesma doutrina, sob a forma de quatro ciclos chamados respectivamente satyâ-yuga (ou kortâ-yuga), tretâ-yuga, dvâpara-yuga e kali-yuga (que quer dizer «idade obscura»), juntamente com a imagem do desaparecimento progressivo, no decorrer destes ciclos, de cada um dos quatro pés ou apoios do touro que simboliza o dharma, a lei tradicional. A redacção irânica está próxima da helénica: as quatro idades são conhecidas e assinaladas pelo ouro, prata, aço e uma «liga de ferro». O ensinamento caldeu repete este ponto de vista quase nos mesmos termos.

Em particular, mais recentemente encontra-se a imagem do carro do universo como uma quadriga que, conduzida pelo deus supremo, é puxada numa corrida circular por quatro cavalos que representam os elementos: as quatro idades correspondem à sucessiva predominância de cada um desses cavalos, que então arrasta consigo os outros, segundo a natureza simbólica, mais ou menos luminosa e rápida, do elemento que esse cavalo representa. Embora numa transposição especial, reaparece a mesma concepção na tradição judaica, na profecia que fala de uma estátua resplandecente, com a cabeça de ouro, em que o peito e os braços são de prata, o ventre e as coxas de cobre e as pernas e os pés de ferro e argila: estátua esta que representa, nas várias partes divididas desta maneira, quatro reinos que se sucedem a partir do reino áureo do «rei dos reis» que recebeu «do deus do céu potência, força e glória». Se em relação ao Egipto já se conhece a tradição referida por Eusébio sobre três diferentes dinastias, formadas respectivamente por deuses, semideuses e manes, aqui pode ter-se o equivalente das três primeiras idades — da do ouro à do bronze — de que falámos acima. Igualmente, se as antigas tradições aztecas falam de cinco sóis ou ciclos solares, em que os primeiros quatro correspondem aos elementos e nos quais se vê figurarem, tal como nas tradições euro-asiáticas, as catástrofes do fogo e da água (dilúvio) e as lutas contra os gigantes que veremos caracterizarem o ciclo dos «heróis» acrescentado por Hesíodo aos outros quatro, também se pode reconhecer aqui uma variante do mesmo ensinamento de que, por outro lado, noutras formas e mais ou menos fragmentariamente, se podem encontrar reminiscências também entre outros povos.
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